Siemens: Tecnologia que transforma o mundo

Inteligência Artificial, metaverso e sustentabilidade dominaram o Siemens Tech Day, evidenciando Portugal como hub global de inovação e mostrando como as empresas se preparam para o futuro digital.

Executive Digest

Inteligência Artificial, metaverso e sustentabilidade dominaram o Siemens Tech Day, evidenciando Portugal como hub global de inovação e mostrando como as empresas se preparam para o futuro digital.

A Nova SBE recebeu o Siemens Tech Day, dedicado à inovação tecnológica e ao papel das equipas portuguesas na criação de soluções com impacto global. O evento reuniu especialistas para demonstrar como a tecnologia está a transformar negócios e sociedade, com exemplos concretos de impacto imediato e futuro.

As primeiras palavras pertenceram a Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, que destacou os paradoxos do presente: «Vivemos num mundo complexo. Por um lado, pedem-nos para não usar o ChatGPT porque não podemos copiar; por outro, exigem-nos que o usemos porque é um superpoder e temos de ser super-mulheres e super-homens». A CEO sublinhou também que, apesar da incerteza quanto ao futuro do trabalho, dois elementos permanecerão centrais: «as pessoas e a tecnologia, cada vez mais presente no dia a dia». Recordou ainda a evolução da Siemens em Portugal, passando de uma grande empresa industrial para a empresa tecnológica que é actualmente.

Entre as demonstrações práticas, salientou-se o impacto da tecnologia em três dimensões estratégicas. Na indústria, um gémeo digital de uma fábrica em Singapura permite antecipar falhas e optimizar processos antes da construção física, reduzindo custos e acelerando a inovação. Na formação, a realidade aumentada e virtual transformou programas tradicionais em experiências imersivas, seguras e gamificadas, diminuindo custos com equipamento e deslocações. Já na sustentabilidade, o Digital Business Optimizer facilita o cálculo do consumo energético e da pegada de carbono de edifícios, simulando cenários de descarbonização e apoiando decisões mais eficientes.

A Siemens aproveitou também o evento para evidenciar a dimensão global do trabalho desenvolvido em Portugal, que conta com mais de 60 nacionalidades entre os seus 4300 colaboradores no país.

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AMEAÇA OU OPORTUNIDADE?

Bernardo Caldas, Director of Data da Mollie, foi o orador convidado para o keynote speech, onde explorou o impacto da inteligência artificial na sociedade e no mercado de trabalho. «As pessoas tendem a definir o mundo como bom ou mau, feliz ou triste. Gostam de estar demasiado calmas em relação à IA, como se nada estivesse a acontecer, ou demasiado alarmadas, como se fosse o fim do mundo». Para Bernardo, é essencial reconhecer simultaneamente o potencial e os perigos da IA: «Se não estás preocupado, começa a estar. Se estás demasiado ansioso, podes também resolver isso».

O responsável da Mollie foi directo sobre a forma como a IA afecta empregos, salientando que está a acontecer neste momento: «E afecta os empregos de pessoas que usam IA, mas também de pessoas que não usam IA. Toda a gente». Citou ainda um estudo de Stanford, que revelou a queda de 13% do emprego relativo entre os jovens dos 20 aos 25 anos, nos últimos três anos: «A economia está a crescer. Tudo deveria estar melhor. E está 13% pior».

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Apesar destes riscos, Bernardo vê na IA um aliado para a criatividade, considerando que ignorar a tecnologia é pior do que enfrentar riscos: «A pior estratégia que se pode ter é não fazer nada, ignorar isto». A sua intervenção terminou com um incentivo à acção: «Comecem a experimentar. Tentem construir coisas, automatizar tarefas, explorar a IA na prática. Nunca na história da humanidade tivemos tantas oportunidades para criar e inovar sem grandes investimentos».

MUDAR COM RESPONSABILIDADE

A inovação está a transformar a forma como vivemos, trabalhamos e produzimos, mas traz consigo oportunidades e riscos. Foi este o tema da primeira mesa de debate, onde João Nascimento Gomes, Data & Analytics Lead na Siemens Portugal, destacou que a inteligência artificial, tal como a electrificação das frotas, oferece capacidades para tomar decisões mais informadas, reduzir emissões e experimentar soluções complexas de forma rápida e económica, embora levante questões urgentes sobre regulamentação, privacidade e segurança.

Já a digitalização permite acelerar processos industriais e o desenvolvimento de produtos de forma inédita. Tiago Mayer, Launch Manager da Volkswagen AG, exemplificou com o primeiro carro eléctrico da Volkswagen abaixo de 20 mil euros, mas alertou para os riscos de veículos permanentemente conectados e reforçou a necessidade de equilibrar a acção entre governos, empresas e sociedade, preparando todos para lidar com estas mudanças.

No sector energético, a IA tornou-se essencial para coordenar milhares de fontes de energia distribuídas e gerir sistemas complexos em tempo real. José Roque, Energy Segment Lead na EY Portugal, sublinhou a importância de cibersegurança e regulamentação adequada, observando que deixar apenas empresas ou governos a gerir estas tecnologias seria como conduzir um carro de Fórmula 1 sem travões. Em conjunto, os oradores reforçaram que a inovação tem dois lados, e que a responsabilidade de garantir que sirva a sociedade de forma inclusiva e segura deve ser partilhada por todos.

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PARA ALÉM DO JOGO

O metaverso deixou de ser apenas sinónimo de jogos ou óculos de realidade virtual e começa a transformar sectores críticos como indústria, saúde, educação e infra-estruturas, ao combinar o real e o digital de formas inéditas. Karl-Heinz Schmid, Global Account Manager da NVIDIA, explicou que a utilização de computação acelerada permite reduzir o tempo de simulação industrial em cerca de 20% do que normalmente se perdia, acelerando o desenvolvimento e diminuindo desperdícios.

Sofia Marta, Country Manager do Google Cloud Portugal, destacou que a combinação de edge computing com inteligência artificial torna possível operar ambientes industriais de forma mais autónoma e eficiente, trazendo dados do OT (tecnologia operacional) para o IT (tecnologia da informação) em tempo real e permitindo decisões mais rápidas e precisas.

Relativamente à Fórmula 1, Jack Harington, Partnerships Group Lead da Oracle Red Bull Racing, explicou que cerca de 70 a 80% do ciclo de design dos carros já ocorre no mundo digital. Os pilotos e engenheiros testam virtualmente diferentes peças e ajustam o veículo para optimizar o desempenho, onde diferenças de milésimos de segundo podem ser determinantes na classificação final.

FORMAR PARA EVOLUIR

O ritmo acelerado da inovação obriga as empresas a repensar a formação, adoptando estratégias que vão além do simples upskilling e incorporam reskilling, cross-skilling e experiências mais envolventes.

Para João Pinto, Senior Director of Software Engineering da Adidas, muitos programas de onboarding e formações específicas são raramente actualizados, quando o mundo evolui demasiado rápido para que o conteúdo permaneça relevante.

Em paralelo, Vanessa Zdanowski, Executive Director da Escola 42, observa que formações tradicionais, passivas e baseadas em slides ou palestras monótonas, têm baixo impacto na retenção do conhecimento. A Escola 42 tem ajustado a sua metodologia, integrando inteligência artificial e outras ferramentas, com o objectivo de formar profissionais que saibam aprender de forma autónoma e contínua.

Carolina Natal, AI Solutions Architect da Siemens Portugal, enfatizou a necessidade de olhar para o erro como parte natural do processo de aprendizagem. Falhar não deve ser encarado como fracasso, mas como um passo atrás que permite avançar com mais segurança. A liderança é essencial nesse contexto, criando ambientes onde arriscar é permitido e dando o exemplo de que errar faz parte do desenvolvimento.

O Siemens Tech Day mostrou como IA e metaverso estão a redefinir modelos de negócio. Num mundo em que tecnologia e ética caminham lado a lado, inovar deixou de ser opcional.

Este artigo faz parte da edição de Outubro (n.º 235) da Executive Digest.

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