O enigma dos carros chineses: porque perdem valor mais depressa do que as marcas ‘tradicionais’?

De acordo com o relatório da ‘GANVAM-DAT’ citado pelo ‘El Economista’, os automóveis chineses conservam apenas cerca de 60,7% do seu preço inicial aos 36 meses, frente aos 65,5% observados nas marcas europeias ou japonesas

Automonitor
Outubro 30, 2025
12:53

Os veículos produzidos na China registam uma retenção de valor inferior à das marcas generalistas após três anos de utilização. De acordo com o relatório da ‘GANVAM-DAT’ citado pelo ‘El Economista’, os automóveis chineses conservam apenas cerca de 60,7% do seu preço inicial aos 36 meses, frente aos 65,5% observados nas marcas europeias ou japonesas.

Entre os motivos apontados destacam-se a elevada presença de modelos elétricos puros e híbridos plug-in nas marcas chinesas, segmentos em que a evolução tecnológica rápida e a incerteza sobre autonomia e durabilidade da bateria aceleram a perda de valor. Também a perceção de menor maturidade da rede de pós-venda e de reposição de peças pode pesar nas avaliações de mercado. Ainda segundo o estudo, este padrão persistente compromete a confiança de quem revenda ou procura automóvel usado.

Consequências para o comprador e o mercado de usados

Para quem adquire um veículo chinês novo, a diferença de cerca de 4 a 5 pontos percentuais na retenção de valor em comparação com marcas estabelecidas pode traduzir-se em milhares de euros a menos no momento da revenda ou da troca. É recomendável, por isso, que o comprador avalie não só o preço de aquisição, mas o conjunto ‘custo total de propriedade’, incluindo manutenção, valor residual e liquidez futura no mercado de usados.

Perspetivas de convergência

Apesar da diferença atual, algumas fontes assinalam que a lacuna pode diminuir se as marcas chinesas continuarem a melhorar a qualidade percebida, a rede de distribuição e o serviço pós-venda, e se o mix de motorização se diversificar. A retenção de valor menos favorável não é, de acordo com os analistas, um veredicto definitivo, mas um reflexo da fase ainda de consolidação dos fabricantes chineses no mercado europeu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.