O gigante desperta: vulcão adormecido há 700 mil anos pode estar prestes a rugir novamente

Um vulcão situado junto à fronteira entre o Irão e o Paquistão poderá estar prestes a regressar à atividade pela primeira vez em mais de 700 mil anos, segundo um estudo científico recentemente publicado

Francisco Laranjeira
Outubro 24, 2025
17:32

Um vulcão situado junto à fronteira entre o Irão e o Paquistão poderá estar prestes a regressar à atividade pela primeira vez em mais de 700 mil anos, segundo um estudo científico recentemente publicado. O vulcão Taftan, até agora considerado extinto, está a mostrar sinais de movimento subterrâneo após centenas de milhares de anos de inatividade.

De acordo com o portal ‘Live Science’, a investigação publicada na revista ‘Geophysical Research Letters’ revelou que o cume do Taftan subiu cerca de 3,5 polegadas (quase nove centímetros) entre julho de 2023 e maio de 2024 — um indício de que há acumulação de pressão de gás no interior do vulcão.

Segundo o mesmo meio, os cientistas alertam que esta pressão “terá de se libertar de alguma forma no futuro, seja de maneira violenta ou mais silenciosa”. O estudo foi liderado pelo vulcanologista Pablo Gonzalez, que sublinha não existir risco imediato de erupção, mas considera essencial manter uma vigilância apertada.

Pressão subterrânea e sinais de gás preocupam cientistas

Em 2023, moradores da região reportaram emissões gasosas e um cheiro intenso sentido a mais de 40 quilómetros do cume, o que reforçou a necessidade de acompanhamento contínuo. O investigador Gonzalez afirmou que o objetivo do estudo “não é causar pânico, mas alertar as autoridades iranianas para a importância de alocar recursos ao monitorização da zona”.

O Taftan, com 3.927 metros de altitude, eleva-se acima de um conjunto de montanhas formadas pela crosta do Oceano Arábico e é considerado o maior vulcão ativo do sudeste do Irão.

Devido à localização remota, a recolha de dados é limitada. Ainda assim, o doutorando Mohammadhossein Mohammadnia, em colaboração com Gonzalez, utilizou imagens de satélite para medir a deformação da superfície. Os especialistas acreditam que o recente crescimento do vulcão poderá dever-se a alterações no sistema hidrotermal, resultando na acumulação de gás ou na movimentação de magma nas camadas inferiores.

A equipa mantém a monitorização do vulcão em parceria com outros centros de investigação internacionais, numa tentativa de compreender melhor o potencial de uma futura erupção naquela região.

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