Nas prateleiras dos supermercados começam a faltar farinha e fermento. Há relatos de falhas um pouco por todo o Mundo e até em Portugal. Segundo o Observador, este poderá ser o novo papel higiénico: depois da corrida aos rolos para a casa de banho, parece que os cidadãos estão interessados em explorar o seu lado de padeiro.
A Food and Agriculture Organization (FAO), organismo da Nações Unidas, garante que não existe falta de matéria-prima, mas as compras motivadas por pânico estão a esvaziar os stocks. Mas o que justifica a vontade de fazer pão, quando podem continuar a comprá-lo nos supermercados, por exemplo? O Washington Post explica que a situação de isolamento social cria o ambiente perfeito para que façamos pão: as pessoas têm mais tempo e podem dedicar-se a actividades que antes não conseguiam.
Aquém e além-fronteiras não faltam chefs ou influenciadores digitais na área da gastronomia a partilhar receitas de como fazer pão em casa. Pelas redes sociais proliferam as sugetões de pão fresco, seja de trigo, centeio ou alfarroba, entre outros tipos de farinha.
O mesmo jornal norte-americano indica que cozinhar é também uma forma de lidar com a ansiedade e o stress. Amassar pão pode ajudar a aliviar a tensão, resultando ainda num produto (potencialmente) saboroso para toda a família. «Estamos a precisar de fazer coisas muito básicas», explica Michelle Riba, professora de psiquiatria da Universidade de Michigan.
Se não podemos passear, ir ao ginásio ou sair para dançar com amigos, podemos fazer pão. É algo relativamente barato e, além disso, mais saudável do que uma garrafa de vinho, por exemplo.
Por cá, a febre do pão caseiro é comprovada pela Cerealis, um dos principais grupos especializados em produtos cerealíferos. Em declarações ao Observador, revela que nos últimos tempos tem “sentido um aumento significativo da procura de farinha de usos culinários (farinhas para consumo dentro de casa)”, o que levou a um embalamento dessas mesmas farinhas a um ritmo “acima do que é normal”.
Para já, a Cerealis está a conseguir dar resposta ao aumento da procura, mas teme uma possível ruptura em termos de fornecimento de matéria-prima. “Não deixamos de estar fortemente preocupados”, indica fonte oficial da emrpesa.
“É importante que a fileira do sector agro-industrial venha a ter um tratamento, no que diz respeito às regras e excepções em vigor neste estado de emergência, similar às do sector da saúde”, explica, referindo-se às restrições que existem relativamente à importação de matéria-prima, que faz com que seja mais escassa e dispendiosa.
Do lado dos supermercados, tanto o Continente como o Pingo Doce confirmam um aumento da procura de farinha. Não registam, porém, falhas nos stocks.













