Sérgio Duarte, diretor do departamento do Instituto de Informática na Segurança Social foi o primeiro orador da manhã e apresentou dados sobre a utilização da Inteligência Artificial por aquele organismo do Estado – o que tem sido feito com o incentivo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Com o novo portal da Segurança Social, lançado em julho deste ano, temos hoje 14 mil conversas diárias por semana e sete mil ao fim de semana. Estes são números muito interessantes e que correspondem a pessoas que deixaram de telefonar para os nossos serviços ou de ir aos nossos balcões”, indicou.
Sérgio Duarte acrescentou que 50% das marcações para a Segurança Social são agora feitas pelo agente virtual – e com isso foi acrescentado um serviço falado em língua inglesa. O responsável apontou ainda a utilização do programa de inteligência artificial da Microsoft, o Copilot com uma adesão de 88% dos trabalhadores na utilização diária. O que se traduz na poupança média de 2h13 minutos por semana. “79% das pessoas diz ter qualidade superior no seu trabalho. São ganhos reais de produtividade, melhor qualidade do trabalho diário”, sublinhou.
O responsável revelou ainda que o Instituto está a criar uma cloud privada com base em IA, “para ter autonomia e poder dos grandes operadores mundiais de cloud e aumentar a soberania de IA e torná-la mais privada e poderosa, passando a processar dados localmente, eliminando a latência e garantidno confidencialidade e confiabilidade, para além de obtermos uma maior previsibilidade e controlo de custos e facilidade de contratação”.
Gabriel Coimbra, diretor Geral da Multisector, apresentou várias possibilidades de incentivos para que as empresas adoptem a IA. “Nos próximos cinco anos, várias disrupções vão mudar as economias: a escassez de água; avatares de IA (substituir os indivíduos e as organizações), agentes para fiscalizar a IA, os drones e os veículos autónomos. Mas todas demonstram que a IA é o denominador comum das transformações”.
“AIA é uma das maiores disrupções tecnológicas para a sociedade e economia”
Gabriel Coimbra exemplificou com vários apoios através do PRR ou do programa Portugal2030, indicando a existência de fundos europeus que as empresas portuguesas, inclusive PME, se podem candidatar.
Referiu ainda a existência de apoio de qualificação e digitalização dos modelos de negócio das PME. O que permite apoios na transformação de conhecimento de tecnologia. “uma oportunidade enorme para as empresas, podendo 50% do investimento ser financiado pelo PT2030”
Por sua vez, a multinacional francesa Cegid demonstrou a utilização do Pulse, o modelo de IA da empresa, que permite uma nova forma de trabalhar com “uma série de agentes para área financeira, logística”, indicou Gonçalo Cardoso, business developer da empresa. O orador apresentou vários exemplos na utilização de IA no software da Cegid, como na utilização de prompts para “análise, previsões e aconselhamento de gestão de risco”.
“Evolui-se de chatbots para agentes que respondem a perguntas e agora para agentes que podem dar sugestões com base na informação disponível para um futuro caminho onde esses agentes irão controlar o workflow aplicacional”, explico Gonçalo Cardoso.
Na segunda parte do evento, teve lugar um painel onde vários intervenientes abordaram o tema da conferência: Céu Mendonça, Executive Diretor Global Partner Solutions da Microsoft fez referência à área das vendas, uma das áreas onde a utilização de IA não está tão visível. “É uma oportunidade gigante para se mudar a forma como se vende”, explicou, indicando que com a utilização da IA “a capacidade de gerar leads é muito maior”. Sublinhou ainda que o receio de muitos colaboradores de serem substituídos pela IA é infundado: “Não vamos ser substituídos, vamos ser promovidos – é assim que temos de olhar para a Inteligência Artificial”
Uma das últimas apresentações esteve a cargo de Sérgio Ferreira, EY, Partner Europe West Consultig Service, que apresentou o conceito: “AI First, Human Centered” indicando que a “transformação nas organizações tem de começar com a comunicação aos colaboradores. “Os projetos de IA fazem-se com pessoas. A AI é tecnologia, mas é necessário o know-how humano das organizações”.
Indicou ainda que existem várias fases de evolução em empresas “AI First”: A primeira onde cada funcionário terá um assistente de IA que o ajuda a trabalhar melhor e mais rápido; a segunda faze no qual os agentes de IA juntam-se às equipas como colegas digitais, assumindo tarefas específicas sob direção humana. E uma terceira fase – a acontecer no prazo de dois anos – onde os colaboradores vão ser chefes de agentes, “os humanos definem a direção e os agentes executam processos de negócios e fluxos de trabalho, fazendo check-in conforme necessário. Não se trata de substituir pessoas, trata-se de lhes dar superpoderes”, concluiu.
Durante a manhã, a ISQ, empresa que desenvolve Large Language Models para IA, apresentou um exemplo de mapeamento do fundo dos oceanos e de identificação de recursos minerais, através do programa Deep Focus. “É uma área nova que oferece consultoria e soluções com base em IA”, explicou André Carvalho, responsável pela equipa da ISQ.
O evento serviu também para apresentar o novo posicionamento da Incentea e do novo lema da empresa ”Technology for people”, como explicou Carlos Vaz, diretor de marketing & new client acquistion da empresa.







