A ativista sueca Greta Thunberg respondeu com ironia a Donald Trump, depois de o presidente norte-americano ter afirmado que a jovem de 22 anos sofre de “problemas de gestão de raiva”, na sequência da sua detenção e deportação de Israel. Numa publicação partilhada esta terça-feira nas redes sociais, Thunberg devolveu o comentário, sugerindo que talvez o próprio Trump seja quem precisa de ajuda profissional para lidar com o temperamento.
“Ouvi dizer que Donald Trump voltou a expressar as suas lisonjeiras opiniões sobre o meu caráter, e agradeço a sua preocupação com a minha saúde mental”, escreveu Thunberg na sua conta de Instagram. “Agradeceria quaisquer recomendações que possa ter para lidar com estes chamados ‘problemas de gestão de raiva’, já que — a julgar pelo seu impressionante historial — parece sofrer deles também”, acrescentou, num tom claramente sarcástico.
As declarações da ativista surgem após Trump ter reagido à sua detenção durante a tentativa de entrega de ajuda humanitária a Gaza, através da Global Sumud Flotilla, composta por 42 embarcações. O grupo foi intercetado pelas forças israelitas, que impediram a chegada da missão ao enclave palestiniano. “Ela é apenas uma provocadora. Já não se interessa pelo ambiente. Tem um problema de gestão de raiva. Acho que devia ver um médico”, disse Trump aos jornalistas, acrescentando: “Já a viram? É tão zangada, tão louca.”
Não é a primeira vez que os dois se confrontam publicamente. Em junho, o presidente dos Estados Unidos chamou a ativista de “estranha” e “zangada” após a sua primeira missão humanitária a Gaza — ao que Thunberg respondeu afirmando que “o mundo precisa de mais mulheres zangadas”. O antagonismo entre ambos remonta a 2019, quando, durante o primeiro mandato de Trump, este ridicularizou a jovem ativista de então 16 anos, descrevendo-a de forma sarcástica como “uma rapariga muito feliz” depois de Thunberg ter discursado nas Nações Unidas sobre a urgência da ação climática.
A fundadora do movimento Fridays for Future, que ganhou projeção mundial por mobilizar milhões de jovens em greves climáticas, tem vindo a alargar a sua atuação a causas humanitárias, nomeadamente em defesa da população palestiniana. Thunberg foi uma das cerca de 160 ativistas detidas e posteriormente deportadas de Israel, após a interceção da frota humanitária.
A ativista chegou na segunda-feira à Grécia, onde foi recebida com aplausos e manifestações de apoio por parte de centenas de simpatizantes. De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, um total de 171 ativistas da Global Sumud Flotilla foram expulsos do país.





