Covid-19. Desgaste do confinamento está a potenciar desobediência por toda a Europa

Em Itália, por exemplo, no domingo passado, 203.011 pessoas foram interpeladas e apenas 4.942 sancionadas pela polícia. Em Portugal, foram detidas 90 pessoas por crime de desobediência.

Sónia Bexiga

À medida que o tempo de quarentena se vai estendendo e as restrições inerentes à declaração do estado de emergência em alguns países ainda estão a ser reforçadas, os cidadãos vão dando sinais de desgaste e stress acrescidos, fruto do confinamento a que estão sujeitos.

Dados oficiais do ministério do interior italiano mostram que a maioria dos italianos segue as regras. No domingo passado, 203.011 pessoas foram interpeladas e apenas 4.942 sancionadas pela polícia. Destas, 142 foram relatadas por declarações falsas e 49 foram consideradas positivas para o vírus covid-19 e não estavam a respeitar o isolamento obrigatório.



Até a semana passada, a polícia espanhola havia emitido mais de 100 mil denúncias – o que pode levar a uma multa – e detido mais de 1.000 pessoas por violar o bloqueio. As sanções variam de “multas leves”, no valor de 100 euros para a entrada em áreas restritas, a multas mais pesadas de até 30 mil euros e penas de prisão pelas violações mais graves.

Em França, numa altura em que é dado como provável que desative gradualmente o bloqueio nacional (e não totalmente de uma só vez), o ministro do Interior notou, esta quinta-feira, que foram emitidas 359 mil multas por violação do bloqueio, desde o seu início em meados de março. “O confinamento é um esforço para as famílias, eu sei, mas devemos permanecer fortes”, disse Castaner.

Em Portugal, até às 18h00 de ontem, quarta-feira, foram detidas 90 pessoas por crime de desobediência, designadamente por violação da obrigação de confinamento obrigatório e por outras situações de desobediência ou resistência.

As detenções ocorreram no cumprimento às determinações do decreto que regulamenta o Estado de Emergência, em vigor desde as 00h00 do dia 22 de março, e foram efetuadas pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

No mesmo período foram encerrados 1.633 estabelecimentos por incumprimento das normas estabelecidas, informa o Ministério da Administração Interna.

“O Ministério da Administração Interna, perante a imperiosa necessidade de todos contribuírem para conter o contágio da covid-19, insiste no cumprimento rigoroso das medidas impostas pelo estado de emergência”, diz o comunicado.

O MAI diz ainda que quer a GNR quer a PSP têm feito uma intensa atividade de sensibilização, vigilância e fiscalização, no cumprimento do decreto que regulamenta o estado de emergência.

Portugal está em estado de emergência até às 23:59 de 2 de abril, e compete às forças e serviços de segurança fiscalizar as medidas previstas para este período.

As pessoas que desobedecerem a determinações do estado de emergência cometem um crime e incorrem numa pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias, segundo o Código Penal.

Do outro lado lado do mundo, também chegam notícias de desobediência. Na Áustria, segundo informações divulgadas pelo ministério do Interior da Áustria, a polícia emitiu mais de 10.426 advertências.

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