Lisboa é a capital europeia menos acessível para viver: despesas já valem 121,4% do salário médio

Estudo mostra que viver numa capital europeia em 2026 depende cada vez menos apenas dos preços absolutos e cada vez mais da relação entre custos e salários.

Executive Digest

O custo de viver confortavelmente nas capitais europeias continua a aumentar, muitas vezes a um ritmo superior ao dos salários médios. Em 2026, despesas como alimentação, renda, transportes, produtos de higiene e lazer pesam cada vez mais nos orçamentos familiares, criando diferenças acentuadas entre cidades onde os rendimentos ainda permitem alguma margem financeira e capitais onde viver se tornou mais difícil para quem recebe o salário médio local.

Uma análise da Tradingpedia comparou despesas de vida e salários em 37 países europeus, com foco nas respetivas capitais. O estudo avaliou custos mensais básicos para uma pessoa sozinha e para uma família de quatro pessoas, incluindo alimentação, habitação, transportes, cuidados pessoais e entretenimento. A partir desses dados, estimou quanto é necessário para viver de forma relativamente confortável em cada capital e que margem sobra depois das despesas essenciais.

O resultado coloca Berna, na Suíça, no topo das capitais europeias mais acessíveis para famílias, quando os custos são comparados com dois salários médios locais. No extremo oposto surge Lisboa, que aparece como a capital menos acessível da Europa para famílias de quatro pessoas e também como a menos acessível para uma pessoa sozinha.

Sarajevo é a capital europeia mais barata em custos absolutos

Quando se olham apenas para as despesas mensais básicas, Sarajevo surge como a capital europeia mais barata em 2026. Uma pessoa sozinha precisa, em média, de 584 euros por mês para cobrir os principais custos de vida. A habitação é o grande fator de acessibilidade: arrendar um estúdio mobilado de 45 metros quadrados, com despesas, internet e produtos domésticos incluídos, custa cerca de 337 euros por mês, o valor mais baixo entre todas as capitais analisadas.

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Minsk aparece em segundo lugar, com despesas mensais médias de 596 euros. A capital da Bielorrússia destaca-se pelo equilíbrio dos preços, sobretudo na habitação e nos transportes. O passe mensal custa apenas 14 euros, um dos valores mais baixos da Europa, enquanto as despesas típicas de habitação rondam os 356 euros mensais, o equivalente a 43,6% do salário médio da cidade.

Chisinau, capital da Moldávia, ocupa o terceiro lugar entre as capitais europeias mais baratas, com um custo de vida estimado em 626 euros por mês. A cidade tem o cabaz alimentar mais barato da Europa, com uma despesa mensal básica de 71 euros. Também os transportes públicos continuam muito acessíveis, com custos mensais de cerca de 10 euros.

Skopje surge entre as capitais mais económicas, com despesas mensais médias de 702 euros para uma pessoa sozinha. A habitação na capital da Macedónia do Norte custa cerca de 416 euros por mês, enquanto o entretenimento representa 146 euros. O passe mensal de transportes públicos ronda os 24 euros.

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Podgorica fecha o grupo das capitais europeias mais baratas, com despesas mensais estimadas em 760 euros. A capital do Montenegro combina custos moderados de habitação, próximos dos 443 euros, com preços alimentares relativamente baixos, já que um cabaz básico ronda os 110 euros por mês.

Londres lidera entre as capitais mais caras

No extremo oposto, Londres é a capital europeia mais cara em 2026. As despesas mensais estimadas para uma pessoa sozinha chegam aos 3.611 euros, com a cidade a liderar nos custos de habitação, entretenimento e transportes.

A habitação é o maior peso no orçamento. Um estúdio mobilado de 45 metros quadrados, incluindo despesas e internet, custa cerca de 2.459 euros por mês. Uma vida social ativa, com restaurantes, cafés, cinema e teatro, pode representar 719,56 euros mensais, mais 223 euros do que em Reiquejavique, a segunda capital mais cara no entretenimento. Os transportes acrescentam outros 231 euros por mês, num sistema tarifário por zonas que torna as deslocações mais caras para quem viaja a partir das áreas exteriores.

Berna é a segunda capital mais cara em termos absolutos, com despesas mensais médias de 3.244 euros. A Suíça não pertence à União Europeia e não está abrangida pelos mesmos acordos comerciais que ajudam a manter preços competitivos no bloco. Além disso, o franco suíço é uma das moedas mais fortes do mundo, o que encarece também os produtos importados. Um cabaz alimentar mensal para uma pessoa custa 332,94 euros e os cuidados pessoais chegam aos 80,60 euros por mês, o valor mais alto da Europa.

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Reiquejavique ocupa o terceiro lugar, com despesas mensais próximas dos 2.972 euros. A capital da Islândia tem alguns dos custos de vida mais elevados da Europa. A alimentação custa em média 258 euros por mês por pessoa e o entretenimento ronda os 497 euros. A localização geográfica do país contribui para estes preços, já que muitos bens têm de ser importados, com custos de transporte e logística refletidos no consumidor.

Amesterdão é a quarta capital mais cara, com despesas mensais estimadas em 2.668 euros. A habitação permanece particularmente elevada, cerca de 1.908 euros por mês, devido à falta de oferta habitacional que se acumulou ao longo de décadas. A expansão da cidade é limitada pela rede de canais e pelos terrenos recuperados ao mar, enquanto a procura de trabalhadores internacionais e turistas continua a crescer.

Dublin fecha o top cinco das capitais mais caras, com despesas médias de 2.396 euros por mês. A habitação é novamente o maior fator de pressão, com renda e despesas de um estúdio mobilado a rondarem os 1.639 euros. O entretenimento também está entre os mais caros da Europa, com cerca de 483 euros mensais, em parte devido à cultura social associada aos pubs e ao peso do turismo.

De salientar que comparar apenas preços pode ser enganador, porque o impacto real do custo de vida depende dos salários locais. Uma cidade pode parecer barata em valores absolutos, mas continuar pouco acessível se os rendimentos forem baixos. Por isso, o estudo analisou também a relação entre despesas e salário médio líquido.

Bruxelas lidera na acessibilidade para uma pessoa sozinha

Neste indicador, Bruxelas surge como a capital europeia mais acessível para uma pessoa sozinha em 2026. Apesar de as despesas mensais atingirem 1.444 euros, representam apenas 49% do salário médio líquido da cidade, que é de 2.945 euros. Depois de pagar os custos essenciais, um residente médio fica com cerca de 1.502 euros disponíveis para poupar ou gastar.

Copenhaga aparece em segundo lugar. As despesas mensais médias são de 2.119 euros, mas o salário médio líquido de 4.204 euros permite que esses custos representem cerca de 50,4% do rendimento. A habitação custa em média 1.355 euros, um valor elevado, mas equilibrado pelos salários dinamarqueses.

Berna, apesar da reputação de cidade cara, é uma das capitais mais acessíveis quando se tem em conta o rendimento local. As despesas mensais de uma pessoa sozinha rondam os 3.244 euros, mas o salário médio líquido chega aos 6.424 euros. Assim, os custos representam 50,5% do rendimento mensal e deixam quase 3.180 euros disponíveis depois das despesas essenciais.

Luxemburgo também surge entre as capitais mais acessíveis para residentes com salário médio. As despesas mensais de 2.333 euros correspondem a 50,9% do rendimento médio de 4.580 euros. O setor financeiro e o papel da cidade como centro de instituições europeias ajudam a explicar os salários elevados. A habitação custa cerca de 1.774 euros por mês, mas os transportes são relativamente baratos, com um custo mensal de 36 euros, o mais baixo entre as capitais da Europa Ocidental.

Estocolmo completa o grupo das cinco capitais mais acessíveis para uma pessoa sozinha. O custo mensal estimado é de 1.895 euros, o equivalente a 55,8% do salário médio sueco, de 3.395 euros. A habitação custa cerca de 1.188 euros, o passe mensal de transportes públicos chega aos 92 euros e o entretenimento ronda os 390 euros, mas os salários permitem manter alguma margem financeira.

Lisboa é a capital menos acessível para uma pessoa sozinha

Lisboa surge como a capital europeia menos acessível para uma pessoa sozinha em 2026. Apesar de o salário médio mensal ser de 1.343 euros, superior ao de cidades como Atenas e Belgrado, as despesas mensais estimadas chegam aos 1.631 euros, cerca de 127% do rendimento típico na cidade.

A habitação é o maior fator de pressão. Um estúdio mobilado de 45 metros quadrados, com despesas incluídas, custa cerca de 1.226 euros por mês. Só a renda e os custos associados consomem mais de 91% do salário médio local antes de se considerar alimentação, transportes ou outras despesas básicas.

O estudo assinala que, apesar da crescente atratividade de Lisboa para nómadas digitais e trabalhadores internacionais, o aumento rápido dos custos de vida continua a pressionar fortemente os residentes.

Tirana é a segunda capital menos acessível para uma pessoa sozinha. Embora seja a sétima capital mais barata entre as 37 analisadas, os salários são muito baixos. O salário médio na capital albanesa é de 760 euros, enquanto as despesas mensais estimadas chegam aos 853 euros. A habitação custa cerca de 504 euros por mês, mais de dois terços do rendimento médio.

Atenas surge logo depois, com despesas mensais de 1.151 euros, praticamente a totalidade do salário médio local, de 1.157 euros. A habitação custa cerca de 685 euros por mês e o entretenimento está entre os mais caros do Sul da Europa, com cerca de 249 euros mensais.

Varsóvia continua entre as capitais menos acessíveis, embora a situação tenha melhorado face ao ano anterior. As despesas mensais chegam aos 1.836 euros, perante salários médios de 1.911 euros, deixando apenas cerca de 74 euros no final do mês. A habitação representa um peso importante, com renda e despesas de um estúdio mobilado a atingirem 1.300 euros.

Roma completa o grupo das cinco capitais menos acessíveis para uma pessoa sozinha. Um residente que receba o salário médio local de 1.790 euros gasta cerca de 1.674 euros por mês, o equivalente a 93,5% do rendimento. A renda de um pequeno estúdio ultrapassa os 1.120 euros e o entretenimento supera os 300 euros mensais.

Lisboa também é a menos acessível para famílias

Para famílias de quatro pessoas, a relação entre custos e salários muda substancialmente. Nas capitais com salários elevados, duas remunerações médias permitem suportar as despesas familiares e ainda manter margem para poupança.

Berna lidera o ranking de acessibilidade para famílias. As despesas mensais representam apenas 33,8% do rendimento combinado de dois salários médios, deixando mais de 8.500 euros disponíveis depois dos custos essenciais.

Luxemburgo surge a seguir, com despesas familiares equivalentes a 38,8% dos rendimentos combinados. Em Copenhaga, os custos representam 43,7% dos dois salários médios, ainda deixando cerca de 4.734 euros de rendimento disponível. Bruxelas e Amesterdão também aparecem entre as capitais mais acessíveis para famílias, com despesas equivalentes a 45% e 47,2% do orçamento de dois salários, respetivamente.

No fundo da tabela, Lisboa é a capital europeia menos acessível para famílias de quatro pessoas. As despesas mensais absorvem 95,8% do rendimento combinado de dois salários médios, deixando uma margem muito reduzida depois dos gastos essenciais.

Tirana surge em segundo lugar, com custos equivalentes a 89% dos dois salários médios. Em Atenas, as despesas familiares consomem 82,3% do rendimento. Roma e Varsóvia completam os cinco lugares menos acessíveis, com 72,4% e 76,8%, respetivamente.

Capital portuguesa tem a habitação menos acessível da Europa

A habitação é uma das maiores linhas de divisão entre capitais europeias em 2026. Lisboa aparece como a cidade menos acessível para arrendatários, quando se comparam os custos de habitação com o salário médio local.

Um estúdio mobilado de 45 metros quadrados, com despesas e internet, custa em média 1.226 euros por mês em Lisboa. Este valor equivale a 91,3% do salário médio mensal da cidade, de 1.343 euros.

Varsóvia surge também entre as capitais mais pressionadas pela habitação. Um estúdio semelhante, com despesas e produtos domésticos essenciais, custa 1.303 euros por mês, o equivalente a 68,2% do salário médio local. Tirana aparece em terceiro lugar, com habitação média de 504 euros mensais, ou 66,3% do rendimento médio. Roma e Belgrado surgem depois, com custos de habitação equivalentes a 62,6% e 61,5% dos salários médios.

No extremo oposto, Bruxelas é a capital europeia mais acessível em termos de habitação face aos salários. Um estúdio mobilado com despesas custa cerca de 894 euros por mês, ou 30,4% do salário médio de 2.945 euros.

Copenhaga segue-se com 32,2%, equilibrando custos de habitação de 1.355 euros com salários superiores a 4.200 euros. Estocolmo e Berna também estão entre as capitais mais acessíveis para arrendatários, com a habitação a representar cerca de 35% dos salários locais.

Sofia destaca-se como exceção, já que a acessibilidade resulta de rendas comparativamente baixas, e não de salários muito elevados. Na capital búlgara, um pequeno estúdio mobilado com despesas custa 504 euros por mês, mantendo a habitação em 35,2% do salário médio de 1.431 euros.

Custo de vida agravou-se mais no Luxemburgo

Entre 2025 e 2026, o Luxemburgo registou o maior agravamento da acessibilidade entre as capitais analisadas. No ano passado, uma pessoa sozinha gastava cerca de 40% do salário médio em despesas correntes. Em 2026, esse peso subiu 10,9 pontos percentuais, para 50,9%.

O aumento não resultou apenas da subida dos preços. A deterioração da acessibilidade foi também influenciada por crescimento salarial mais lento, redução do salário líquido associada a alterações no sistema de contribuições para pensões e pausa prolongada na indexação automática dos salários. A habitação também subiu, de 1.675 para 1.774 euros por mês.

Berna registou o segundo maior agravamento. O custo de vida passou de 40,6% para 50,5% do salário médio local. A capital suíça teve uma das maiores subidas nos custos de habitação entre as cidades mais ricas da Europa, com renda e despesas a aumentarem quase 700 euros num ano, para 2.263 euros mensais.

Roma também ficou menos acessível. As despesas mensais subiram de 83,6% para 93,5% do salário médio, impulsionadas sobretudo pela habitação, que aumentou de 948 para 1.121 euros por mês, além de preços mais altos em entretenimento e alimentação.

Lisboa registou igualmente uma forte deterioração. As despesas de vida passaram de 111,6% para 121,4% do salário médio mensal. A renda de um pequeno estúdio mobilado subiu de 991 para 1.226 euros num ano, sendo apontada como o principal fator do agravamento da crise de acessibilidade na capital portuguesa.

Helsínquia também registou aumento do peso do custo de vida, de 50,1% para 57,8% do salário médio. A habitação para uma pessoa sozinha subiu de 889 para 994 euros por mês, devido sobretudo a custos mais elevados de financiamento e manutenção. Os transportes aumentaram de 62 para 70 euros, num contexto de maior volatilidade dos preços da energia na Finlândia.

Europa dividida entre salários altos e custos incomportáveis

O estudo mostra que viver numa capital europeia em 2026 depende cada vez menos apenas dos preços absolutos e cada vez mais da relação entre custos e salários. Cidades como Londres, Berna ou Reiquejavique são caras em termos absolutos, mas algumas compensam essa pressão com salários elevados.

Lisboa apresenta o problema inverso. Não é a capital mais cara da Europa em valores absolutos, mas os custos, sobretudo da habitação, estão muito acima da capacidade financeira média dos residentes. Por isso, a capital portuguesa surge no fundo dos rankings de acessibilidade tanto para pessoas sozinhas como para famílias de quatro pessoas.

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