Relatório sobre democracia recomenda aposta no voto dos emigrantes

Segundo o estudo, Portugal e Cabo Verde estão entre os poucos países que permitem o voto dos seus nacionais residentes no estrangeiro e aos quais permitem a eleição de representantes parlamentares

Executive Digest com Lusa

O Relatório Global sobre o Estado da Democracia 2025, publicado esta quinta-feira, defende que o voto dos emigrantes deve ser incentivado para manter as diásporas envolvidas na política dos seus países e reforçar a coesão social, elogiando Portugal.

Segundo o estudo, Portugal e Cabo Verde estão entre os poucos países que permitem o voto dos seus nacionais residentes no estrangeiro e aos quais permitem a eleição de representantes parlamentares.

No entanto, as taxas de participação ainda são relativamente baixas e os modelos de participação variam.

“Concluímos que a expansão da participação política contribui para a resiliência democrática e que o voto fora do país (OCV) contribui para o sentimento de pertença que promove essa resiliência”, vinca.

O relatório, produzido anualmente pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA) indica que “os benefícios podem reverter tanto para os países de origem como para os países de acolhimento”.

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De acordo com estimativas da ONU, 304 milhões de pessoas, ou 3,7% da população global, viviam fora do seu país de nascimento em 2025, tendência que os especialistas acreditam que vai continuar a aumentar.

“Queremos evitar uma situação em que as pessoas sejam essencialmente privadas dos seus direitos pela sua decisão de emigrar. E uma das primeiras coisas a preservar é a capacidade das pessoas continuarem a votar no país da sua primeira cidadania, o país onde nasceram”, afirmou um dos autores do relatório, Alexander Hudson.

O especialista elogiou Portugal por ser “um dos países que adotou uma abordagem direta e institucional para garantir que os cidadãos emigrantes possam continuar a votar e a ser representados de forma direta”.

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“Não damos instruções políticas diretas sobre se deve haver votação fora do país e se deve ser feita desta ou daquela forma, mas sim encorajamos os países e os cidadãos desses países a pensar de forma mais ampla sobre o regime jurídico que têm, as vantagens e desvantagens que este proporciona, e a tomar uma decisão mais direta e ponderada sobre como a votação fora do país deve ser facilitada”, acrescentou.

No relatório, são feitas várias recomendações sobre a simplificação dos processos de recenseamento eleitoral, a diversificação das formas de votar, incluindo o voto eletrónico, aumentar a informação e a transparência dos processos eleitorais.

Portugal, Cabo Verde e Tunísia destacam-se por adotarem um modelo de “assentos reservados” na Assembleia da República para garantir a representação dos seus cidadãos não residentes.

Portugal está ainda entre os seis países, juntamente com a Bulgária, El Salvador, Hungria, Moldávia e Roménia, cujos votos do estrangeiro chegaram ou ultrapassaram os 5% do total.

O Relatório Global sobre o Estado da Democracia, é produzido anualmente pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), com sede em Estocolmo, com base em informação de 22 fontes institucionais, incluindo a ONU.

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O estudo usa um total de 154 indicadores para classificar 173 países em quatro categorias principais de desempenho democrático: Representação, Direitos, Estado de Direito e Participação.

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