O artista urbano Bordalo II voltou a dirigir críticas ao Governo, desta vez pela forma como tem conduzido o combate aos incêndios que devastaram o país neste verão. Só em 2025, já arderam mais de 172 mil hectares em Portugal e registaram-se duas vítimas mortais, segundo dados oficiais.
A nova intervenção artística, intitulada “Maximus Temperatus: Responsabilidade, presença e competência mínima”, foi divulgada nas redes sociais do artista no dia 18 de agosto. A peça mostra um sinal de trânsito queimado com a imagem de Portugal, manchado de vermelho como se tivesse sido atingido pelas chamas. Noutra versão da obra, o território nacional surge transformado numa caixa de fósforos que revela um relvado em chamas.
Na legenda das imagens partilhadas no Instagram, Bordalo II repetiu a expressão “maximus temperatus” e acrescentou uma crítica direta à atuação das autoridades: “Responsabilidade, presença e competência mínima…”. A publicação surge num contexto em que o Executivo de Luís Montenegro tem sido acusado de demora na ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, pressão que levou o partido Chega a pedir um debate de urgência no Parlamento com o primeiro-ministro e a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
Esta não é a primeira vez que o artista confronta o poder político. Bordalo II já tinha criticado o Governo em temas como a crise na habitação e a demolição de barracas no bairro do Talude, em Loures. Em agosto, pendurou em Lisboa um cartaz com a frase “Lisbon For Sale”, uma provocação ao turismo massificado e à especulação imobiliária. Em maio, transformou a Praça Duque da Terceira, no Cais do Sodré, num tabuleiro de Monopólio em larga escala, obra que intitulou “Provoc” e que simbolizava a mercantilização do direito à habitação.
“O direito à habitação, presente na Constituição, está agora à mercê da sorte ou do azar”, escreveu então o artista, explicando que alguns jogadores “trocam casas por hotéis, uns hipotecam os imóveis à banca, outros são a banca”.
Também em 2023 Bordalo II chamou a atenção para a questão da habitação com a instalação “Desalojamento Local”, montada no Miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. Na altura, expôs tendas pintadas como se fossem casas e deu ao espaço o nome de “Rua das Angústias”, acompanhado por um sinal onde se lia: “Exceto turistas, nómadas digitais e vistos gold”.
Agora, o foco volta-se para os incêndios florestais, num momento em que o Governo decidiu prolongar a situação de alerta até às 00h00 de terça-feira, face ao agravamento das condições meteorológicas e à intensidade das chamas.









