Negócios no Golfo, criptomoedas e merchandising. Família Trump acumula mais de 1.400 milhões de euros em seis meses de Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que em 2017 garantiu não usar a Presidência para enriquecer, vê agora essa promessa desmentida por uma investigação publicada pela revista The New Yorker.

Pedro Gonçalves

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que em 2017 garantiu não usar a Presidência para enriquecer, vê agora essa promessa desmentida por uma investigação publicada pela revista The New Yorker. Segundo a mesma, os lucros atribuíveis diretamente ao seu regresso ao Salão Oval e à influência exercida através da Casa Branca ultrapassam 1.400 milhões de euros em apenas meio ano.

A investigação aponta negócios no Golfo Pérsico, projetos imobiliários no Vietname, investimentos em criptomoedas, merchandising, receitas associadas ao clube privado Mar-a-Lago e até acordos extrajudiciais de processos judiciais como parte do crescimento exponencial da fortuna da família Trump.



Durante o primeiro mandato, Trump anunciou que os filhos, Donald Jr. e Eric, ficariam responsáveis pela gestão da Trump Organization, e comprometeu-se a não fechar novos acordos internacionais. Mas a promessa foi de curta duração.

O segundo mandato trouxe uma onda de parcerias no estrangeiro, sobretudo com promotores da Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, consolidando a marca Trump na região com pelo menos cinco macroprojetos imobiliários.

Entre as contrapartidas mais simbólicas surge ainda a promessa do emir do Qatar de ceder um Boeing 747-8, avaliado em 150 milhões de euros, destinado à futura biblioteca presidencial de Trump.

Criptomoedas e decisões políticas
Um dos negócios mais lucrativos envolve a empresa de criptomoedas World Liberty Financial, criada pelos filhos do presidente e associada ao milionário chinês Justin Sun.

Após a vitória eleitoral de 2024, a empresa atraiu centenas de milhões em investimentos, impulsionados por medidas políticas que flexibilizaram as regras do setor. Só este projeto terá rendido cerca de 412 milhões de euros à família Trump.

O clube privado Mar-a-Lago, na Florida, viu as suas receitas anuais dispararem para 50 milhões, mais do dobro do valor registado em 2016. Os ganhos acumulados ascendem já a 125 milhões de euros adicionais.

Também o merchandising, que inclui desde bonés e camisolas a Bíblias com o nome de Trump, rendeu 27 milhões de euros.

Licenças internacionais e hotelaria
Além do Médio Oriente, a marca Trump expandiu-se no Vietname, onde o regime comunista aprovou um projeto imobiliário e de golfe avaliado em 1.500 milhões de euros, o maior de sempre com o nome do presidente norte-americano.

As licenças e contratos de gestão de hotéis e campos de golfe em cidades como Dubai, Mascate, Riade e Doha reforçam também a rede internacional de negócios ligada à família.

Outro capítulo insólito é a utilização de processos por difamação contra empresas como a ABC, a Meta e a X (antigo Twitter). Embora muitos fossem vistos como juridicamente frágeis, resultaram em acordos extrajudiciais milionários, canalizados para a fundação controlada por Trump e familiares próximos.

Segundo especialistas em ética citados na investigação, esta estrutura permite que tais recursos possam financiar diretamente o estilo de vida do presidente após deixar funções.

Antes de chegar à Presidência em 2016, Donald Trump enfrentava uma situação financeira marcada por dívidas e perdas recorrentes. Hoje, o cenário é diametralmente oposto.

De acordo com o jornalista David D. Kirkpatrick, “quando se trata de usar o cargo público para amassar ganhos pessoais, Trump é um unicórnio: não há ninguém comparável”.

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