As medidas impostas pelo Governo para fazer face à Covid-19 parecem ter resultado na diminuição – ainda que temporária – da poluição. Esta é a conclusão de uma monitorização na Península Ibérica realiazda entre 10 e 28 de Março pelo AIR Centre, o Laboratório de Observação da Terra do Centro Internacional de Investigação do Atlântico. Ou seja, durante um período que corresponde, aproximadamente, à declaração do Estado de Emergência em Portugal.
Com o encerramento de indústrias e a diminuição no uso dos transportes devido à pandemia, as emissões de dióxido de azoto em Portugal e no país vizinho caíram. Lisboa é a cidade portuguesa em que essa diminuição foi mais «drástica». Em algumas zonas da cidade chegou aos 80%. No Porto, atingiu 60% em alguns pontos.
Num comunicado enviado às redacções, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MTECS) sublinha que estes dados representam «um efectivo aumento do nível da qualidade do ar». Sendo que, esta evolução «é particularmente benéfica para reduzir a probabilidade de afectar pessoas com problemas respiratórios», uma vez que, a inalação de dióxido de azoto «em altas doses poderia inflamar o revestimento dos pulmões e reduzir a imunidade a infecções pulmonares, causando problemas como tosse, constipações e bronquite».
Em meados de Março, dados compilados pela agência “Lusa” mostravam que o mundo estaria a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia com a quebra no consumo de petróleo devido à pandemia do novo coronavírus. A Agência Internacional de Energia, por exemplo, divulgou um relatório segundo o qual a procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009, devido à propagação do vírus. Em causa estarão menos de 90 mil barris de petróleo por dia face ao ano passado.
Dias antes, em Portugal, a associação ambientalista Quercus havia considerado, em comunicado, que a pandemia pode vir a ter, ainda que temporariamente, efeitos positivos no ambiente. «Será porventura uma situação transitória. E convém não esquecer que, na origem de um provável efeito positivo, está uma notícia muito negativa e com consequências ainda não mensuráveis para a saúde pública. Uma das consequências inesperadas do surto do novo coronavírus será eventualmente uma melhor qualidade do ar, ainda que este venha a revelar-se um efeito temporário».
«É um facto que as restrições de viagens aéreas e as limitações de contacto, que implicam naturalmente deslocações de automóvel para lidar com a pandemia do Covid-19, resultarão num declínio substancial do consumo de combustíveis fósseis e na redução de gases com efeito de estufa que contribuem negativamente para a qualidade do ar e que influenciam as alterações climáticas», sustentava.
Veja abaixo as imagens de satélite, por ordem cronólogica, disponibilizadas pelo AIR Centre, através do MTECS:
10 de Março: encerramentos dos museus, teatros, monumentos e actividades desportivas em áreas fechadas em Portugal. Voos para Itália suspensos por 14 dias.
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11 de Março: mais de mil médicos voluntariam-se para reforçar o Serviço Nacional de Saúde. A Organização Mundial da Saúde declarou a Covid-19 como pandemia. O anúncio de que todas as escolas serão fechadas chega nos dias seguintes.
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14 de Março: Espanha inclui medidas mais apertadas, restringindo a mobilidade dos cidadãos, excepto para o trabalho, alimentação e farmácia.
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16 a 18 de Março: regista-se a primeira vítima mortal por Covid-19 em Portugal. É implementado o controle de fronteira entre Portugal e a Espanha e declarado Estado de Emergência em Portugal.
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26 de Março: o tráfego aéreo diário nos aeroportos portugueses caí 87% e o Banco de Portugal alerta sobre o grave impacto económico no crescimento e no desemprego. As escolas não voltarão a abrir depois do período da Páscoa.
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28 de Março: a política de isolamento social aparentemente contribuí para o achatamento da curva de contágio (aparecimento de novos casos que precisam de tratamento hospitalar).
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