Administração Trump quer reduzir duração dos vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros nos EUA

A Administração Trump apresentou uma proposta de lei que pretende limitar significativamente a duração dos vistos atribuídos a estudantes, participantes em intercâmbios culturais e profissionais da comunicação social.

Pedro Gonçalves

A Administração Trump apresentou uma proposta de lei que pretende limitar significativamente a duração dos vistos atribuídos a estudantes, participantes em intercâmbios culturais e profissionais da comunicação social. A medida, divulgada esta quarta-feira, insere-se na estratégia mais ampla do Governo norte-americano para reduzir não apenas a imigração ilegal, mas também o acesso à imigração legal.

Atualmente, os estudantes estrangeiros nos Estados Unidos podem permanecer no país enquanto mantiverem vínculo ativo com universidades ou instituições de ensino e investigação. Com a nova proposta, esse regime de flexibilidade deixaria de existir, sendo substituído por um prazo fixo de quatro anos.

Já para os jornalistas estrangeiros, cujos vistos podem estender-se atualmente até dez anos, a alteração seria ainda mais drástica: passariam a ter uma duração máxima de 240 dias. No caso de cidadãos chineses, a limitação seria ainda mais restritiva, de apenas 90 dias.

Segundo a proposta, as novas regras obrigariam estes grupos a apresentar pedidos de prorrogação com maior frequência, dificultando a permanência prolongada no país e aumentando a burocracia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reagiu de imediato, criticando duramente a proposta norte-americana. Pequim acusou Washington de adotar “práticas discriminatórias contra países específicos”, numa resposta que acentua as tensões já existentes entre os dois países.

Continue a ler após a publicidade

De acordo com dados oficiais de 2024, os Estados Unidos tinham cerca de 1,6 milhões de estudantes estrangeiros com vistos F ativos. No mesmo ano, foram ainda concedidos 355 mil vistos de intercâmbio cultural e cerca de 13 mil vistos para membros da comunicação social.

A Administração Trump justifica as mudanças como uma forma de reforçar a capacidade de “monitorizar e supervisionar” os titulares de vistos durante o período em que permanecem em território norte-americano.

Em paralelo com esta proposta, os Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) anunciaram, num memorando datado de 22 de agosto, que vão retomar as visitas domiciliárias a candidatos à cidadania norte-americana. O objetivo é recolher informações junto das suas vizinhanças para avaliar o “caráter moral e o empenho nos ideais americanos” dos requerentes.

Continue a ler após a publicidade

Esta dupla ofensiva, tanto no âmbito da imigração legal como na naturalização, reflete a linha dura da Administração Trump em matéria de imigração e permanência de estrangeiros nos Estados Unidos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.