Grupo de cidadãos entrega hoje abaixo-assinado a apelar à união sindical perante ‘ameaça’ das mudanças na lei do trabalho

O documento, que já tinha sido entregue há uma semana à direção da CGTP, surge como resposta às mudanças profundas na legislação laboral previstas pelo Governo no âmbito da reforma conhecida como Trabalho XXI.

Pedro Gonçalves

Um grupo de cidadãos entrega hoje, às 10h00, na sede da União Geral de Trabalhadores (UGT), em Lisboa, um abaixo-assinado que apela ao diálogo e à unidade entre as duas principais centrais sindicais portuguesas, UGT e CGTP. O documento, que já tinha sido entregue há uma semana à direção da CGTP, surge como resposta às mudanças profundas na legislação laboral previstas pelo Governo no âmbito da reforma conhecida como Trabalho XXI.

O texto, subscrito por mais de 200 personalidades ligadas ao mundo académico, jurídico, cultural e sindical, considera “urgente e inadiável” que as duas centrais sindicais coloquem de lado divergências e se articulem para enfrentar de forma eficaz as alterações em curso. Entre os signatários estão nomes como Manuel Carvalho da Silva, antigo secretário-geral da CGTP, e a eurodeputada socialista Marta Temido.

Segundo os promotores, a iniciativa “reflete a vontade dos signatários de ver promovida a unidade em torno das questões do trabalho”, defendendo que só através de uma resposta concertada será possível “defender eficazmente os direitos dos trabalhadores” e “construir soluções conjuntas para o futuro”. O documento alerta ainda que “a democracia nascida com o 25 de Abril está num sobressalto sem paralelo”, sublinhando os riscos que advêm da ascensão de forças de extrema-direita e populistas, assim como das medidas governamentais consideradas “profundamente lesivas” para os trabalhadores.

O grupo responsável pela entrega à UGT é constituído por Avelino Pinto, da Liga Operária Católica, Constantino Alves, ex-dirigente sindical do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul, Deolinda Machado, sindicalista, ex-dirigente da CGTP-IN e coordenadora da LOC/MTC, Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e membro da Comissão Nacional da CGTP, e ainda Maria Augusta de Sousa, sindicalista e antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

O documento surge num contexto de elevada tensão laboral, depois de o Governo ter apresentado em Conselho de Ministros, a 25 de julho, um anteprojeto de revisão profunda do Código do Trabalho. A reforma Trabalho XXI prevê alterações a mais de uma centena de artigos e será ainda negociada com os parceiros sociais.

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De acordo com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, o objetivo central é flexibilizar regimes “muito rígidos”, aumentar a competitividade das empresas e promover a produtividade. Entre as medidas em discussão estão mudanças na licença parental, a obrigatoriedade de o pai gozar 14 dias consecutivos de licença após o nascimento do filho, novas regras em caso de luto gestacional e a possibilidade de despedimento por justa causa em caso de apresentação fraudulenta de autodeclarações de doença.

Face a estas alterações, os subscritores consideram que a fragmentação do movimento sindical enfraquecerá a capacidade de resposta. “Mais do que nunca, neste contexto, só as centrais sindicais, congregando os restantes sindicatos, podem ter capacidade de defesa dos trabalhadores”, lê-se no texto.

A entrega do abaixo-assinado à UGT acontece assim uma semana depois de idêntica ação junto da CGTP, reforçando o apelo a uma resposta conjunta e coordenada das duas maiores centrais sindicais portuguesas perante a reforma laboral em preparação.

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