Livros infantis de Ondjaki e Sandro William Junqueira premiados no festival Onomatopeia

Dois livros de Ondjaki e Sandro William Junqueira venceram hoje ex aequo o Prémio Ibérico de Literatura Infantojuvenil Álvaro Magalhães, que, atribuído em Valongo no festival Onomatopeia, distingue as melhores publicações do ano anterior em Português ou Espanhol.

Executive Digest com Lusa

Dois livros de Ondjaki e Sandro William Junqueira venceram hoje ex aequo o Prémio Ibérico de Literatura Infantojuvenil Álvaro Magalhães, que, atribuído em Valongo no festival Onomatopeia, distingue as melhores publicações do ano anterior em Português ou Espanhol.


A decisão foi tomada depois de o júri, constituído pelo próprio Álvaro Magalhães e pelas igualmente escritoras Marta Bernardes e Raquel Patriarca, ter recebido mais de 100 candidaturas ao prémio e selecionado cinco obras como finalistas, entre as quais também se incluíam títulos de Afonso Cruz, Gilberto Gil e Volnei Canônina.


Dessa seleção destacaram-se, contudo, os livros “Porque é que os olhos não veem por dentro”, escrito por Ondjaki e ilustrado por Constança Duarte, e “Quebra-cabeça”, com texto de Sandro William Junqueira e desenhos de Rachel Caiano, por se tratarem de obras que “desafiam o ritmo acelerado dos dias atuais”, privilegiando a escuta e a reflexão.


“Os textos distinguidos, para além do rigor literário, não oferecem respostas fáceis, mas criam espaço para que cada leitor encontre as suas”, justifica o painel de avaliadores.


No caso de “Por que é que os olhos não veem para dentro?”, o livro parte dessa pergunta simples para abrir caminho a reflexões sobre “identidade, memória e o invisível”, no que o texto de Ondjaki constitui “um hino ao lirismo e à introspeção”, proporcionado à palavra “a delicadeza de quem nomeia um sentimento pela primeira vez”.

Continue a ler após a publicidade

Já no que se refere a “Quebra-Cabeças”, essa obra cruza “humor e pensamento filosófico, explorando a mente como território de descoberta” e revelando no respetivo texto “um domínio exímio do ritmo e da cadência”, ao equilibrar graça com “indagação filosófica”.


Além dos títulos de Ondjaki e Sandro William Junqueira, que vão assim repartir um prémio monetário de 8.000 euros, o Prémio Ibérico promovido pela Câmara Municipal de Valongo também entregou uma menção honrosa ao livro “A Pipa e o Piá”, escrito por Volnei Canônica e com grafismo de Daniel Kondo.


Esse trabalho foi distinguido com 3.000 euros por envolver “uma narrativa que transforma a construção de uma pipa numa metáfora sobre migração, pertença e liberdade”, recorrendo para isso a “uma escrita dotada de uma musicalidade suave e precisa”.

Continue a ler após a publicidade

Após a leitura dessas e outras edições oriundas de Portugal, Espanha, Brasil, Angola, Moçambique e Zimbabué, o escritor Álvaro Magalhães realça a qualidade geral das mais de 100 obras que concorreram à distinção, o que considera demonstrar como o festival Onomatopeia tem ajudado a “colmatar uma lacuna no panorama da literatura infantojuvenil.


“Em tempos estranhos, de facilitismo, com os mais novos a perder competências emocionais e sociais, a literatura pode e deve funcionar como um excelente refúgio do excesso de imagens, do excesso de exposição aos ecrãs e da cansativa velocidade de tudo”, defende o presidente do júri. “Não podemos impedir os mais jovens de viverem as inúmeras distrações digitais próprias do seu tempo, mas podemos, e devemos, temperá-las com a leitura”, conclui.



AYC // MAG


Lusa/Fim


 

Continue a ler após a publicidade

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.