O governo do Uganda negou ter chegado a qualquer acordo com os Estados Unidos para receber imigrantes indocumentados expulsos do país, contrariando informações divulgadas por órgãos de comunicação norte-americanos que davam conta de um alegado pacto com a administração de Donald Trump.
Henry Oryem Okello, ministro de Estado para os Negócios Estrangeiros do Uganda, afirmou à agência Reuters que o país da África Oriental não tem capacidade logística nem infraestrutural para acolher migrantes desta natureza. “Tanto quanto sei, não chegámos a tal acordo. Não temos as instalações e a infraestrutura para acomodar tais imigrantes ilegais no Uganda. Por isso, não podemos recebê-los”, declarou o governante.
A polémica surgiu após uma notícia avançada pela CBS News, que citava documentos internos do governo norte-americano, segundo a qual a Casa Branca teria alcançado acordos de deportação com as Honduras e com o Uganda. De acordo com essa informação, Kampala teria aceitado receber deportados de países africanos que se encontrassem nos Estados Unidos, desde que não tivessem antecedentes criminais.
A Casa Branca não respondeu de imediato aos pedidos de esclarecimento sobre o caso.
Em junho, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos justificou a necessidade de realizar deportações para países terceiros, defendendo que estas medidas eram essenciais para expulsar pessoas consideradas “tão barbaramente únicas que os seus próprios países não as aceitariam de volta”.
Contudo, críticos têm acusado Washington de recorrer a práticas desumanas. Em julho, os EUA deportaram cinco imigrantes oriundos do Vietname, Jamaica, Laos, Iémen e Cuba para o Essuatíni, uma monarquia absoluta com um histórico de abusos documentados. O país africano aceitou os deportados após “meses de intensos contactos ao mais alto nível” com os norte-americanos, segundo comunicado oficial.
O Essuatíni tinha já sido alvo de um relatório crítico do Departamento de Estado dos EUA em 2023 devido a graves violações dos direitos humanos.
Apesar de ser um aliado próximo dos EUA na África Oriental, o Uganda sublinha as dificuldades de assumir novas responsabilidades nesta área. O país acolhe atualmente quase 2 milhões de refugiados e requerentes de asilo, maioritariamente provenientes de nações vizinhas assoladas por conflitos, como a República Democrática do Congo, o Sudão do Sul e o Sudão.




