Disparidade salarial em Wall Street dispara: CEO chega a ganhar 6.666 vezes mais do que os funcionários

A desigualdade salarial entre executivos e trabalhadores voltou a aumentar de forma significativa nos EUA. Em 2024, os CEOs das empresas que compõem o índice S&P 500 viram a sua remuneração crescer 7,7%, atingindo um valor mediano de 16 milhões de euros anuais, segundo dados da consultora Farient Advisors.

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Agosto 20, 2025
15:36

A desigualdade salarial entre executivos e trabalhadores voltou a aumentar de forma significativa nos EUA. Em 2024, os CEOs das empresas que compõem o índice S&P 500 viram a sua remuneração crescer 7,7%, atingindo um valor mediano de 16 milhões de euros anuais, segundo dados da consultora Farient Advisors.

O ritmo de crescimento superou as previsões (7,2%) e foi o mais acelerado desde 2021, quando os salários executivos registaram uma subida de 11,5%. Em contraste, os trabalhadores norte-americanos tiveram um aumento salarial médio de apenas 3,6% no mesmo período, de acordo com o Bureau of Labor Statistics, abaixo da valorização dos executivos e pouco acima da inflação, que foi de 3%, revela o ‘elEconomista’.



O exemplo mais flagrante é o de Brian Niccol, CEO da Starbucks, cuja remuneração total atingiu 82 milhões de euros em 2024, valor mais de 6.666 vezes superior ao salário médio de um trabalhador da cadeia de cafés, estimado em cerca de 13.000 euros anuais.

Já o CEO mais bem pago do S&P 500 foi Rick Smith, da fabricante de armas Axon Enterprise, com um pacote de 141 milhões de euros, em grande parte composto por ações atribuídas após o cumprimento de metas de longo prazo.

A discrepância é ainda mais evidente quando comparadas diferentes indústrias. Enquanto a Nvidia, gigante tecnológica e atualmente a empresa mais valiosa dos EUA, apresenta uma proporção de 166 para 1 entre o salário do CEO Jensen Huang (42,7 milhões de euros) e o salário médio dos seus engenheiros (258 mil euros), empresas de retalho como a Starbucks revelam rácios milhares de vezes superiores devido à forte contratação de trabalhadores com baixos salários.

Especialistas alertam que esta disparidade crescente está a agravar a desigualdade económica e a concentrar a riqueza no topo. Apesar da polémica, os acionistas continuam a apoiar massivamente estes pacotes salariais. Nos últimos cinco anos, o apoio médio às propostas de remuneração executiva manteve-se entre 92,4% e 92,6%, segundo a ISS-Corporate.

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