“Netanyahu é um herói de guerra… eu também sou”, diz Trump sem nunca ter combatido nem servido nas forças armadas

A afirmação foi feita durante uma intervenção telefónica no programa de rádio do comentador conservador Mark Levin, onde também elogiou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Pedro Gonçalves
Agosto 20, 2025
11:18

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou-se na terça-feira como um “herói de guerra”, apesar de nunca ter combatido nem servido nas forças armadas. A afirmação foi feita durante uma intervenção telefónica no programa de rádio do comentador conservador Mark Levin, onde também elogiou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

“Ele é um herói de guerra, porque trabalhámos juntos”, afirmou Trump, referindo-se a Netanyahu. “Ele é um herói de guerra. Acho que eu também sou. Ninguém se importa, mas eu também sou. Quero dizer, fui eu que enviei aqueles aviões”, acrescentou. O chefe de Estado norte-americano fazia referência ao ataque aéreo ordenado em junho contra instalações subterrâneas do programa nuclear iraniano, numa operação destinada a destruir a capacidade nuclear de Teerão.



As declarações de Trump surgem num momento em que Netanyahu enfrenta um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI), emitido em novembro passado, por alegados crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza. Desde o início da ofensiva israelita, desencadeada após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 — que matou cerca de 1.200 pessoas —, mais de 60 mil palestinianos perderam a vida, segundo números reportados por organizações internacionais.

Apesar de se ter classificado como “herói de guerra”, Trump nunca participou em qualquer conflito militar. Durante a Guerra do Vietname, recebeu cinco adiamentos do serviço militar obrigatório, incluindo uma isenção médica após ser diagnosticado, aos 22 anos, com esporões ósseos nos calcanhares.

O presidente norte-americano já havia protagonizado polémicas relacionadas com militares no passado. Em 2015, durante a campanha para a nomeação republicana, afirmou que o senador John McCain — que passou mais de cinco anos como prisioneiro de guerra no Vietname — “não era um herói de guerra”, justificando: “Eu gosto de pessoas que não foram capturadas”.

Mais tarde, em 2020, a revista The Atlantic publicou um artigo segundo o qual Trump teria, em privado, descrito militares mortos em combate como “perdedores” e “totós” (suckers). O presidente desmentiu veementemente estas alegações.

As declarações recentes, em que se autoproclama herói de guerra, prometem alimentar mais críticas e debates sobre a forma como Trump valoriza o serviço militar e a sua própria experiência enquanto comandante supremo das forças armadas norte-americanas.

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