Portugal na rota do tráfico de cocaína do Brasil: líder dos “Fantasmas do Cajuru” preparava carregamento

Rafael Lourenço, conhecido como “Rafinha”, líder da organização criminosa brasileira “Fantasmas do Cajuru”, foi assassinado a tiro no domingo, na Póvoa de Varzim, quando tentava refazer a vida em Portugal.

Revista de Imprensa

Rafael Lourenço, conhecido como “Rafinha”, líder da organização criminosa brasileira “Fantasmas do Cajuru”, foi assassinado a tiro no domingo, na Póvoa de Varzim, quando tentava refazer a vida em Portugal. O homem, de 41 anos, vivia em Odivelas com a mulher e três filhos menores e já tinha constituído duas empresas ligadas ao transporte de passageiros e ao comércio automóvel. Segundo o Correio da Manhã, pretendia instalar-se em definitivo no país.

A Polícia Judiciária seguia os seus passos e acreditava que o brasileiro mantinha atividade criminosa em território nacional. A família terá chegado no verão passado, mas “Rafinha” regressou entretanto ao Brasil, voltando a Portugal pela última vez a 21 de abril, através de Madrid, após voo proveniente do Paraguai.



Condenado em 2021 a prisão por associação criminosa, tráfico de droga, branqueamento de capitais e posse ilegal de armas – pena confirmada em 2023 –, o fugitivo terá escolhido Portugal não só para escapar à justiça, mas também para fugir à guerra entre cartéis que lhe ceifou o principal aliado. O seu cúmplice, Bruno Felisbino, conhecido como “Bruno Negão”, foi morto a tiro em março de 2024, no estado da Paraíba, alegadamente por rivais ligados ao Cartel do Sul.

As autoridades acreditam que Rafael Lourenço planeava prosseguir a atividade de narcotráfico a partir de Portugal. Estava sob suspeita de organizar o transporte de um carregamento de cocaína com destino ao país através de um porto no sul do território. A organização que fundou há mais de 20 anos, no bairro Cajuru, em Curitiba, passou de assaltos a bancos ao tráfico internacional de cocaína, atividade que terá rendido cerca de 40 milhões de euros nos últimos cinco anos.

Além do tráfico, os “Fantasmas do Cajuru” são acusados de vários homicídios violentos e de operações de branqueamento de capitais, recorrendo a empresas de fachada. Muitos membros viviam em luxo, com casas e automóveis de topo, segundo as autoridades brasileiras. A PJ acredita que o homicídio de “Rafinha” está ligado à luta pelo controlo do narcotráfico, em que os “Fantasmas” atuam em aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em confronto direto com o Cartel do Sul, associado ao Comando Vermelho.

Na execução, o criminoso foi atingido por sete disparos após ser perseguido durante 200 metros por dois homens armados com pistolas de calibre 9 mm. A mulher e os três filhos pretendem manter-se em Portugal. Uma advogada brasileira deslocou-se ao país para apoiar a família, que se encontra em choque após a morte.

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