Nem mísseis, nem drones: O novo maior receio da Ucrânia na guerra são estes capacetes russos

A Ucrânia enfrenta uma nova ameaça no campo de batalha que poderá alterar o rumo das operações militares: soldados russos equipados com capacetes dotados de antenas e de um sistema compacto de guerra eletrónica concebido para interferir com a transmissão de vídeo de drones inimigos.

Pedro Gonçalves

A Ucrânia enfrenta uma nova ameaça no campo de batalha que poderá alterar o rumo das operações militares: soldados russos equipados com capacetes dotados de antenas e de um sistema compacto de guerra eletrónica concebido para interferir com a transmissão de vídeo de drones inimigos. A tecnologia, cuja existência foi revelada através de publicações nas redes sociais, reforça a crescente sofisticação do arsenal russo no conflito.

Segundo informações divulgadas pela Forbes, o dispositivo integra uma unidade instalada na parte posterior do capacete, equipada com duas antenas visíveis, um arnês de ligação, uma bateria portátil e um ecrã acoplado ao braço do combatente. O sistema permite detetar drones através das suas emissões de rádio, captar o sinal de vídeo e, a partir daí, facultar ao utilizador a opção de interromper a transmissão de forma seletiva.



Ao contrário dos tradicionais bloqueadores de sinal, que interferem no controlo ou na navegação, este equipamento concentra-se exclusivamente na interrupção do vídeo transmitido. Esta abordagem estratégica reduz o risco de ativar mecanismos de segurança embutidos em muitos drones ucranianos, que são concebidos para reagir a bloqueios convencionais de sinal.

De acordo com a descrição técnica, o sistema não recorre a interferências de largo espectro. Em vez disso, deteta de forma passiva a frequência específica do enlace de vídeo e aplica um bloqueio direcionado apenas a essa ligação. Esta precisão traduz-se num menor consumo de energia, numa exposição reduzida do operador e numa menor probabilidade de deteção eletrónica por parte das forças inimigas.

Impacto em cenários de combate urbano
A presença deste tipo de tecnologia pode ser decisiva em combates urbanos, como os que se registam em Chasiv Yar, Kupiansk ou nos arredores de Kharkiv, onde a utilização intensiva de drones FPV (First Person View) tem provocado um número crescente de baixas e perdas materiais.

A capacidade de “cegar” o operador de um drone sem comprometer o seu controlo oferece uma vantagem tática considerável: sem visão, o piloto perde a capacidade de ataque ou de seguimento, o que pode gerar confusão, atrasar a resposta e permitir manobras ofensivas ou defensivas mais seguras por parte das forças que utilizam o sistema.

No entanto, este equipamento não é universal. Drones que recorrem a transmissão por cabo, como os que utilizam fibra ótica, permanecem imunes à interferência, por não dependerem de sinais de rádio. Além disso, a eficácia do sistema poderá ser posta à prova caso a Ucrânia desenvolva novos protocolos de segurança para os seus dispositivos aéreos.

Miniaturização da guerra electrónica
O conflito entre Moscovo e Kiev tem acelerado de forma inédita a evolução tecnológica no campo militar. Recursos que anteriormente exigiam veículos especializados estão agora a ser incorporados diretamente no equipamento individual de combate. Esta tendência para a miniaturização da guerra electrónica surge como resposta a um ambiente operacional onde os ataques a baixa altitude e a vigilância aérea são constantes.

A nova tecnologia russa é mais um elemento no complexo cenário de guerra moderna, onde cada avanço numa frente tecnológica desencadeia respostas e adaptações na outra. Como ficou claro com esta revelação, a disputa pelo domínio do espaço aéreo, mesmo em distâncias reduzidas, continua a ser uma das chaves para o sucesso no campo de batalha.

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