As altas temperaturas e a seca extrema estão a transformar o verão europeu num cenário cada vez mais propício a incêndios florestais, com especialistas a alertar que as alterações climáticas estão a agravar a frequência e intensidade destes fenómenos. Desde o final de junho, dezenas de fogos deflagraram em vários países, destruindo já uma área quase equivalente ao tamanho do Luxemburgo.
Com as férias de verão no auge, viajantes para destinos propensos a incêndios são aconselhados a reforçar as medidas de prevenção e a garantir cobertura adequada de seguro de viagem, de forma a minimizar riscos e prejuízos.
Ondas de calor e incêndios atingem vários países
No sul de França, as temperaturas ultrapassaram os 40 °C esta segunda-feira, levando a Météo-France a colocar 12 departamentos em alerta vermelho. O climatologista agrícola Serge Zaka, entrevistado pela BFMTV, advertiu: “Não se deixem enganar – isto não é ‘normal, é verão’. Não é normal, é um pesadelo”.
Na região francesa de Aude, centenas de bombeiros continuam a vigiar os limites de um incêndio de grandes dimensões que, na semana passada, devastou 16 mil hectares e provocou vítimas mortais.
No Reino Unido, o Met Office prevê que a quarta onda de calor do verão atinja um pico de cerca de 33 °C em Londres esta terça-feira. Na véspera, 60 bombeiros foram mobilizados para combater um incêndio a nordeste da capital.
Em Espanha, foi iniciada a evacuação preventiva de habitações na estância turística de Tarifa, na região de Cádis, devido ao avanço das chamas. Segundo a imprensa local, cerca de 2 000 pessoas – incluindo banhistas, hóspedes de resorts e moradores próximos das praias de Atlanterra e Bolonia – foram afetadas.
Portugal também enfrenta uma situação crítica: esta segunda-feira, o país manteve-se em alerta máximo para risco de incêndio, após temperaturas elevadas e ventos fortes alimentarem três grandes fogos. Um dos mais preocupantes ocorreu na aldeia de Freches, concelho de Trancoso, onde mais de 650 bombeiros, apoiados por 226 veículos e seis helicópteros, combateram as chamas que ameaçavam quatro localidades próximas.
Na Bulgária, as temperaturas deverão superar os 40 °C, com alertas máximos de perigo de incêndio em vigor. “A situação permanece muito desafiante”, declarou Alexander Dzhartov, responsável pela unidade nacional de segurança contra incêndios, referindo-se aos quase 200 fogos registados este verão.
Na província turca de Canakkale, o calor extremo e os ventos fortes obrigaram à evacuação de casas de férias e de um campus universitário, bem como à suspensão do tráfego marítimo.
Na Hungria, domingo registou um novo recorde nacional de temperatura, com 39,9 °C no sudeste, ultrapassando a marca de 1948. Em Budapeste, os termómetros chegaram aos 38,7 °C, o valor mais alto alguma vez registado na cidade. Foi decretada proibição nacional de fazer fogo devido à seca extrema.
Recomendações para quem viaja para zonas de risco
Para turistas que planeiem visitar regiões suscetíveis a incêndios, os especialistas sublinham a importância de manter-se informado e preparado. Antes da viagem, recomenda-se pesquisar as condições locais, conhecer as classificações de perigo de incêndio e os procedimentos de emergência.
É essencial garantir que o telemóvel está configurado para receber alertas de emergência. No caso da Grécia, é possível registar-se no serviço de comunicações de emergência do governo e seguir a conta oficial @112Greece na rede X (antigo Twitter) para atualizações.
O governo britânico sugere preparar um “kit de emergência” com documentos de identificação, telemóvel e carregador, dinheiro, cartões bancários, medicação essencial e apólice de seguro. Em caso de aviso de onda de calor, é aconselhável transportar água extra, evitar atividades físicas intensas durante as horas de maior calor e seguir as orientações das autoridades locais.
Os viajantes mais idosos ou com problemas de saúde devem ter especial cuidado para evitar esforços excessivos. Caso o itinerário inclua atividades ao ar livre, é prudente confirmar com o operador turístico a possibilidade de alterar datas ou planos caso seja emitido um aviso de calor extremo.
Seguro de viagem: o que deve saber
Especialistas alertam que, ao contratar seguro de viagem, é importante verificar se a apólice cobre situações relacionadas com incêndios florestais. Esta proteção é crucial sobretudo quando o viajante decide cancelar a viagem por iniciativa própria, mesmo que não exista um aviso oficial de “não viajar” emitido pelo governo.
Sem esse aviso oficial, os cancelamentos voluntários são normalmente considerados “desistência de viajar” e não dão direito a reembolso. A maioria das apólices também não cobre “perda de usufruto” devido a incêndios, como, por exemplo, estar confinado ao hotel.
O reembolso é geralmente garantido apenas se voos ou alojamento forem cancelados por companhias aéreas, fornecedores ou operadores turísticos. Algumas apólices incluem cobertura para interrupção de viagem ou desastres naturais, mas nem todas oferecem esta opção, pelo que a verificação prévia é fundamental.





