Homem desenvolve condição rara após consulta no ChatGPT sobre como parar de comer sal

Artigo, publicado no ‘Annals of Internal Medicine’ relatou um caso em que um homem de 60 anos desenvolveu bromismo, também conhecido como toxicidade por brometo, após consultar o chatbot

Francisco Laranjeira
Agosto 12, 2025
15:23

Um homem nos EUA desenvolveu uma condição médica rara após uma interação com o ChatGPT sobre a remoção do sol de cozinha da sua dieta: o artigo, publicado no ‘Annals of Internal Medicine’ relatou um caso em que um homem de 60 anos desenvolveu bromismo, também conhecido como toxicidade por brometo, após consultar o chatbot.

O artigo descreveu o bromismo como uma síndrome “bem reconhecida” no início do século XX, que se acreditava ter contribuído para quase uma em cada 10 internações psiquiátricas na época.

O paciente relatou aos médicos que, após ler sobre os efeitos negativos do cloreto de sódio, ou sal de cozinha, consultou o ChatGPT sobre a eliminação do cloreto da sua dieta e começou a tomar brometo de sódio por um período de três meses. Isso apesar de ter lido que “o cloreto pode ser substituído pelo brometo, embora provavelmente para outros fins, como limpeza”. O brometo de sódio era usado como sedativo no início do século XX.

Os autores do artigo, da Universidade de Washington em Seattle, disseram que o caso destacou “como o uso da inteligência artificial pode potencialmente contribuir para o desenvolvimento de resultados adversos à saúde evitáveis”, acrescentando que, como não conseguiram ter acesso ao registo de conversas do paciente no ChatGPT, não foi possível determinar o conselho que o homem havia recebido.

No entanto, quando os próprios autores consultaram o ChatGPT sobre o que poderia ser substituído pelo cloreto, a resposta também incluiu brometo, não forneceu um aviso de saúde específico e não perguntou por que os autores estavam à procura de tais informações — “como presumimos que um profissional médico faria”, escreveu o ChatGPT.

Os autores alertaram que o ChatGPT e outras aplicações de IA poderiam “gerar imprecisões científicas, não ter a capacidade de discutir resultados criticamente e, em última análise, alimentar a disseminação de desinformação”.

NO artigo, é ainda explicado que o paciente apresentou-se num hospital e alegou que o seu vizinho poderia estar a envenená-lo, garantindo ter tido múltiplas restrições alimentares. Apesar de estar com sede, foi observado como paranoico em relação à água que lhe foi oferecida. Tentou escapar do hospital 24 horas após ser internado e foi tratado para psicose. Assim que o paciente estabilizou, relatou ter vários outros sintomas que indicavam bromismo, como acne facial, sede excessiva e insónia.

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