Vaticano sob fogo devido a escândalo de alegada fraude de lavagem de dinheiro

Alegações surgem num momento difícil para o novo Papa Leão XIV, que procura melhorar a reputação da Igreja Católica após décadas de escândalos financeiros e um iminente défice orçamental

Francisco Laranjeira
Agosto 11, 2025
13:29

O Vaticano enfrenta acusações de que usou uma “chave mestra para o branqueamento de capitais” ao manipular ilegalmente transferências bancárias. O antigo responsável financeiro da cidade-estado — que foi forçado a sair em 2017 — alegou que a sua agência de processamento de salários conseguiu alterar os nomes e os números das contas nas transações depois de estas terem sido feitas, mascarando a identidade dos destinatários e dos remetentes, indicou esta segunda-feira o jornal ‘POLITICO’.

A implicação seria enorme porque tornaria possível que as autoridades do Vaticano transferissem fundos para clientes privados sem revelar quem eram, permitindo possivelmente o branqueamento de capitais ilimitado e violando as regras antifraude mais básicas.

As alegações surgem num momento difícil para o novo Papa Leão XIV, que procura melhorar a reputação da Igreja Católica após décadas de escândalos financeiros e um iminente défice orçamental.

O Vaticano nega todas as alegações, e as pessoas familiarizadas com a SWIFT, a organização que facilita as transferências bancárias internacionais, afirmam que a acusação contra o Vaticano é tecnicamente impossível. No entanto, as alegações estão a ser levadas a sério devido à credibilidade das pessoas que as fazem e ao historial de má conduta do Vaticano.

Em causa está Libero Milone, antigo auditor da Deloitte, que foi nomeado pelo falecido Papa Francisco em 2015 para reparar as finanças do Vaticano após anos de escândalo e negligência. Dois anos depois, foi forçado a demitir-se depois de altos funcionários o terem acusado de ser um espião. No entanto, Milone alega que foi expulso porque identificou irregularidades financeiras relacionadas com o ex-chefe da polícia e cardeal da cidade-estado, Giovanni Angelo Becciu, que foi condenado por peculato em 2023, após uso indevido de fundos do Vaticano.

Libero Milone mencionou pela primeira vez a aparente existência de ferramentas que poderiam editar números de contas bancárias internacionais (IBAN) em transferências no sistema SWIFT internacional no mês passado, após o fracasso de um processo que moveu contra o Vaticano por despedimento sem justa causa.

Descrevendo a ferramenta de edição de IBAN como uma “chave mestra para o branqueamento de capitais”, o site católico ‘The Pillar’ disse que, se fosse provado, “o Vaticano provavelmente acabaria numa lista negra financeira internacional do tipo mais obscuro, congelado fora do sistema bancário internacional, o que significa que nenhum dinheiro poderia entrar ou sair da cidade-estado, exceto em dinheiro físico literal”.

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