Juan Carlos I troca Abu Dhabi por Cascais e muda-se para mansão de luxo adaptada a cadeira de rodas

Avaliada em cerca de 4,5 milhões de euros, esta propriedade está a ser adaptada para as necessidades físicas do antigo monarca, que enfrenta graves limitações de mobilidade devido a múltiplas cirurgias e artrose avançada.

Executive Digest

Depois de cinco anos no exílio nos Emirados Árabes Unidos, o rei emérito Juan Carlos I prepara-se para abandonar o Golfo Pérsico e fixar residência numa mansão de luxo no Estoril, Portugal. Avaliada em cerca de 4,5 milhões de euros, esta propriedade está a ser adaptada para as necessidades físicas do antigo monarca, que enfrenta graves limitações de mobilidade devido a múltiplas cirurgias e artrose avançada.

O que inicialmente se pensava ser uma reforma dourada em Abu Dhabi transformou-se numa verdadeira “jaula de ouro” para Juan Carlos I. Aos 86 anos, o pai do atual rei Felipe VI enfrenta um desgaste físico acentuado, com 17 intervenções cirúrgicas ao longo dos anos, incluindo operações à anca e aos joelhos. A artrose severa limita significativamente os seus movimentos, tornando imprescindível uma casa adaptada com rampas, elevadores e divisões amplas para garantir mobilidade total em cadeira de rodas.



Segundo fontes próximas da família real citadas pelo jornal espanhol El Nacional, a decisão de mudar-se para Portugal tem o apoio tácito de Felipe VI. O antigo monarca opta pelo país vizinho não só pela proximidade a Espanha, mas também pelo círculo influente de amigos que mantém em solo português, entre os quais se destaca o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

A transferência para o Estoril, conhecida informalmente como “Operação Cascais”, simboliza uma nova fase no prolongado afastamento de Juan Carlos I da vida pública espanhola. Desde agosto de 2020 que o rei emérito vive fora de Espanha, refugiado nos Emirados Árabes, devido a escândalos judiciais e suspeitas de corrupção que abalaram a sua imagem e colocaram a monarquia sob pressão.

Apesar de ainda não ser permitido o seu regresso a solo espanhol, a mudança para Cascais permite-lhe manter-se o mais próximo possível de Madrid, com o consentimento do filho. Esta solução de compromisso surge como alternativa ao regresso formal, possibilitando-lhe um retiro discreto e confortável, mas sempre perto da capital espanhola.

O Estoril e a região de Cascais representam para Juan Carlos um território familiar. O antigo monarca passou parte da sua juventude exilado nesta zona, após a proclamação da Segunda República Espanhola e a Guerra Civil. Este vínculo afetivo é reforçado pela rede de relações pessoais que ainda mantém em Portugal, incluindo amizades com figuras como Francisco Pinto Balsemão, membros das famílias Pereira Coutinho e Espírito Santo, e, claro, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta não é a primeira vez que Portugal surge como opção para o refúgio do rei emérito: em 2020, a hipótese de instalação em Cascais foi ponderada pela Casa Real espanhola, mas as condições oferecidas por Abu Dhabi — em particular segurança, luxo e discrição — prevaleceram. Agora, cansado do que alguns descrevem como “exílio de luxo”, Juan Carlos demonstra vontade de regressar à Península Ibérica, ainda que a Zarzuela, a residência oficial nos arredores de Madrid, continue inacessível para si.

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