Estes foram os países da Europa que mais sofreram com incêndios no último ano (e Portugal está destacado na lista)

De acordo com dados divulgados pela Agência Europeia do Ambiente e citados pela Euronews, o calor extremo e a seca prolongada agravaram significativamente o risco de incêndios, especialmente na Europa do Sul e Central.

Pedro Gonçalves

Portugal foi o país da União Europeia mais atingido por incêndios florestais em 2024, com quase 450 quilómetros quadrados de área ardida, num ano em que se registaram temperaturas recorde em todo o continente. De acordo com dados divulgados pela Agência Europeia do Ambiente e citados pela Euronews, o calor extremo e a seca prolongada agravaram significativamente o risco de incêndios, especialmente na Europa do Sul e Central.

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a área ardida em Portugal entre o início deste ano e 15 de julho foi três vezes superior à registada no mesmo período de 2023, apesar de a época oficial de incêndios ainda não ter terminado.



Depois de Portugal, a Bulgária e a Espanha foram os países mais afetados, com 310,9 km² e 186,5 km² de território consumido pelas chamas, respetivamente.

A época de incêndios em Portugal começou mais cedo este ano, com focos ativos na ilha da Madeira ainda antes do verão, e voltou a intensificar-se em meados de setembro, já em território continental. As condições meteorológicas adversas — temperaturas elevadas, baixa humidade relativa do ar e ventos fortes — criaram cenários de combustão rápida e descontrolada em várias regiões.

Estas condições foram agravadas por uma paisagem cada vez mais inflamável, devido à combinação entre alterações climáticas e alterações no uso do solo. “A subida das temperaturas, a redução da precipitação e os episódios de seca prolongada estão a transformar grandes áreas do território europeu em barris de pólvora”, sublinha a Agência Europeia do Ambiente.

Portugal já viveu tragédias semelhantes
Embora o impacto dos incêndios de 2024 seja significativo, não é a primeira vez que Portugal lidera as estatísticas europeias em matéria de destruição florestal. Em 2017, o país viveu uma das épocas mais trágicas da sua história recente: 117 pessoas perderam a vida e mais de 902,6 km² de área florestal foram consumidos pelo fogo.

Um estudo publicado em 2025 sublinhou que os bombeiros portugueses envolvidos na resposta aos incêndios extremos de 2017 demonstraram uma compreensão limitada do comportamento extremo do fogo e prestaram pouca atenção às medidas de prevenção. Este diagnóstico levanta preocupações quanto à preparação para fenómenos semelhantes num contexto de alterações climáticas crescentes.

Atividade humana continua a ser principal causa de ignição
De acordo com estimativas da Agência Europeia do Ambiente, cerca de 95% dos incêndios na Europa têm origem direta ou indireta em comportamentos humanos, nomeadamente negligência ou fogo posto. A maioria das ignições ocorre na interface entre áreas urbanas e espaços naturais — junto a estradas, aldeias ou zonas periurbanas.

Contudo, a ignição por si só não determina a gravidade do incêndio. A propagação e intensidade dependem de fatores como o tipo de vegetação, a topografia, a quantidade de combustível acumulado no solo e as condições meteorológicas no momento do incidente.

Curiosamente, apenas 1,2% dos incêndios ocorridos na Europa são responsáveis por 65% da área total ardida. Isto demonstra que, apesar de muitos fogos começarem, são poucos os que assumem proporções catastróficas — quando as condições lhes são favoráveis.

Incêndios custam à UE milhares de milhões por ano
A destruição causada pelos incêndios tem um custo económico elevado para a União Europeia. Estima-se que os fogos florestais resultem em perdas anuais de 2,5 mil milhões de euros, principalmente devido à destruição de infraestruturas como edifícios, linhas de energia, vias de transporte e sistemas de abastecimento de água.

Além disso, o impacto no turismo — uma das principais fontes de rendimento para muitas regiões afetadas — pode ser devastador. A imagem de insegurança e destruição afasta visitantes e compromete o rendimento de populações locais que dependem da atividade turística.

Fogo como reflexo das alterações climáticas
Entre 2000 e 2024, os incêndios florestais consumiram uma média anual de 3.770 km² de território europeu, o equivalente a 10% das florestas e 21% das pastagens da União Europeia. A tendência para incêndios mais frequentes, intensos e prolongados acompanha a subida contínua das temperaturas médias no continente.

O ano de 2024, o mais quente na Europa desde o início dos registos em 1940, poderá assim representar apenas um prenúncio do que se avizinha caso não sejam adotadas medidas urgentes de mitigação e adaptação às alterações climáticas.

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