Ministério promete analisar os 10 mil contributos sobre Cidadania antes do início das aulas

A consulta pública à disciplina de Cidadania recebeu mais de dez mil contributos, que o Ministério da Educação garante estarem a ser analisados para eventuais alterações ao novo programa, que entra em vigor em setembro.

Executive Digest com Lusa

A consulta pública à disciplina de Cidadania recebeu mais de dez mil contributos, que o Ministério da Educação garante estarem a ser analisados para eventuais alterações ao novo programa, que entra em vigor em setembro.

A consulta pública da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) e das Aprendizagens Essenciais (AE) de Cidadania e Desenvolvimento, que decorreu entre 21 de julho e 05 de agosto, recebeu 10.120 contributos, revelou hoje o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).

Sete em cada dez sugestões focaram-se na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (7.073 contributos), sendo as restantes relativas às AE da disciplina.

Em resposta à Lusa, o MECI garante que a Direção-Geral da Educação (DGE) está agora “a analisar os contributos recebidos, a partir dos quais serão ponderadas alterações aos documentos colocados em consulta pública”.

Na quinta-feira à noite, em entrevista à SIC, o ministro da Educação, Fernando Alexandre já tinha garantido que as sugestões seriam tidas em conta no processo.

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“Até ao final do mês será submetida para apreciação do Conselho de Ministros uma Resolução para aprovar a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania” e serão também homologadas as Aprendizagens Essenciais de Cidadania e Desenvolvimento: “Ambos os documentos vão vigorar a partir de setembro, para o ano letivo 2025/2026”, acrescenta hoje o MECI.

A decisão de rever a disciplina foi anunciada no ano passado pelo primeiro-ministro, que defendeu ser preciso libertar a disciplina de “amarras ideológicas”.

Poucos dias depois, o ministro Fernando Alexandre explicou que a revisão se inseria num processo mais amplo que incluía todas as disciplinas.

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A partir do próximo ano letivo, Cidadania e Desenvolvimento passa a ser regulada por Aprendizagens Essenciais, em linha com uma nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, que substitui os atuais documentos orientadores da disciplina.

Lançada em 2017 pelo ministro socialista Tiago Brandão Rodrigues, a Cidadania e Desenvolvimento funciona como área de trabalho transversal no 1.º ciclo, disciplina no 2.º e 3.º ciclos, e como componente de formação no secundário, cabendo às escolas decidir se é lecionada enquanto disciplina autónoma ou de forma multidisciplinar.

Essa organização não será alterada, mas os até agora 17 domínios, alguns obrigatórios e outros facultativos, passam a ser integrados em oito dimensões obrigatórias: Direitos Humanos, Democracia e Instituições Políticas, Desenvolvimento Sustentável, Literacia Financeira e Empreendedorismo, Saúde, Media, Risco e Segurança Rodoviária, e Pluralismo e Diversidade Cultural.

O novo guião da disciplina parece dar menos atenção a temas polémicos como a sexualidade, tratada apenas no contexto da saúde e da violação dos direitos humanos, e maior destaque à literacia financeira ou ao empreendedorismo.

Sem quaisquer referências às palavras “sexual” ou “sexualidade”, a aparente ausência da Educação Sexual nas novas aprendizagens essenciais foi, desde logo, o tema que mais preocupou associações e especialistas.

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Durante a consulta pública, multiplicaram-se as posições em defesa da educação sexual, com a Associação Nacional de Estudantes de Medicina, a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica ou a Associação Portuguesa de Fertilidade a sublinharem o impacto comprovado na prevenção de comportamentos de risco e da violência de género.

Também a União de Mulheres Alternativa e Resposta e várias outras associações ligadas à defesa dos direitos humanos e das mulheres, como a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas criticaram as mudanças.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses recomendou a inclusão explícita da educação sexual e da saúde mental no currículo escolar, com aprendizagens progressivas desde o primeiro ciclo e conteúdos e ações adaptados às diferentes idades, considerando que, na proposta do executivo, “a referência à sexualidade nos currículos é restrita, limitada e tecnicamente imprecisa”.

O ministro da Educação assegurou que os conteúdos relacionados com a educação sexual não desaparecem dos currículos e, na quinta-feira, em entrevista à SIC, afirmou que “se a formação para a educação sexual em Portugal dependesse da disciplina de Cidadania era um desastre”.

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