Dia Mundial do Cancro do Pulmão: Estudo revela desconhecimento alarmante sobre a doença em Portugal

Estudo nacional divulgado esta sexta-feira revela lacunas preocupantes na literacia em saúde. Campanha “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias” apela à prevenção durante o verão.

Pedro Zagacho Gonçalves

Apesar de mais de metade da população portuguesa afirmar conhecer alguém diagnosticado com cancro do pulmão, a maioria continua mal informada sobre os sinais da doença e os recursos disponíveis para a sua deteção precoce. A conclusão é de um novo estudo nacional apresentado esta sexta-feira, no âmbito da campanha “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, que assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão.

O inquérito, conduzido pela empresa Spirituc – Investigação Aplicada e promovido pela farmacêutica AstraZeneca, mostra que 52,7% dos portugueses dizem conhecer alguém com a doença. Em 54,7% dos casos, trata-se de uma relação próxima – familiares ou amigos chegados – o que confirma o impacto transversal da patologia na sociedade portuguesa.

No entanto, essa proximidade não se traduz em conhecimento. Cerca de metade dos inquiridos desconhece a existência de programas de rastreio para o cancro do pulmão, e muitos não sabem reconhecer os principais sintomas, que incluem tosse persistente, dor torácica, perda de peso inexplicável, rouquidão e infeções respiratórias recorrentes, como explica a campanha.

Desinformação generalizada, mesmo perante uma doença letal
Quase 9 em cada 10 portugueses (85,2%) admitem que falta informação clara sobre o cancro do pulmão. Esta falha informativa é ainda mais grave quando confrontada com os dados epidemiológicos: segundo o Globocan, em 2022 foram diagnosticados 6.155 novos casos da doença em Portugal, que foi responsável por 5.077 mortes – o maior número de óbitos por cancro no país. A nível global, o cancro do pulmão causou mais de 1,8 milhões de mortes nesse ano.

“A prevenção e o diagnóstico precoce são pilares fundamentais para aumentar as hipóteses de tratamento e remissão da doença”, sublinha Isabel Magalhães, presidente da associação Pulmonale, parceira da campanha. “Estes dados são um alerta claro”, acrescenta.

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O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, reforça: “Em primeiro lugar, importa perceber quais são os fatores de risco e o que podemos fazer para evitar o aparecimento de cancro do pulmão. A prioridade máxima tem de ser impedir o desenvolvimento da doença”.

Tabaco, poluição e químicos: fatores de risco reconhecidos
Apesar das lacunas informativas noutros domínios, a maioria dos inquiridos identifica corretamente os principais fatores de risco: o tabagismo lidera, mencionado por 90%, seguido da poluição ambiental (73,9%) e do contacto com substâncias químicas perigosas (67,4%). Ainda assim, o estudo alerta que a doença pode afetar também não fumadores, sendo o fumo passivo, a exposição ao radão, ao amianto e fatores genéticos outros elementos de risco a ter em conta.

A campanha visa também desfazer mitos e sensibilizar para estas realidades menos conhecidas, através de uma rede de parceiros institucionais que inclui, além da Pulmonale, a Careca Power, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), a Associação Nacional das Farmácias (ANF), a APMGF, o Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP) e a Rede Expressos.

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Verão como oportunidade para cuidar da saúde
Um dado encorajador do estudo mostra que 67% dos portugueses aproveitam as férias para realizar exames e check-ups médicos. É precisamente essa predisposição que a campanha quer potenciar: usar o verão como oportunidade para “parar, escutar o corpo e agir”, incentivando a identificação precoce de sintomas.

Para Isabel Magalhães, esta é uma aposta com resultados possíveis: “É fundamental que toda a população compreenda que o cancro do pulmão, apesar de agressivo, tem terapêuticas inovadoras e maior hipótese de sobrevivência com qualidade de vida, quando diagnosticado precocemente. Os resultados deste estudo são um alerta e um apelo à ação coletiva”.

O estudo “O Cancro do Pulmão em Portugal – A Visão dos Portugueses” foi conduzido entre 27 de maio e 23 de junho de 2025, com uma amostra de 615 participantes, de ambos os sexos, com idades entre os 18 e os 80 anos, residentes em território nacional. A recolha dos dados foi feita através de questionários online, com metodologia CAWI (Computer Assisted Web Interviewing).

A perceção social sobre a evolução da doença também é preocupante: 64,5% dos inquiridos acreditam que o número de casos de cancro do pulmão irá aumentar nos próximos cinco anos. Uma previsão que, embora sombria, pode ser contrariada com educação, prevenção e diagnóstico atempado.

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