Os hospitais encontram-se na linha da frente da pandemia de Covid-19. Nas unidades hospitalares dos Estados Unidos está a ser debatida a hipótese de se implementar uma política universal para não reanimar os pacientes infectados com a doença, codificados como críticos, com o objectivo de proteger os profissionais de saúde do contágio, de acordo com o ‘Independent’.
Esta possibilidade surge numa altura em que os hospitais americanos sentem uma diminuição dos stocks de equipamentos de protecção individual – tais como luvas, máscaras, fatos – que faz com que o risco corrido pelos profissionais de saúde, seja «demasiado elevado para justificar uma reanimação de um paciente» crítico infectado com Covid-19, avança o jornal britânico.
O ‘Northwestern Memorial Hospital’, em Chicago é uma das unidades hospitalares que têm debatido esta política universal de não reanimar pacientes infectados em estado crítico, independentemente dos desejos da pessoa em questão ou dos seus familiares, priorizando a segurança dos seus profissionais de saúde.
Richard Wunderink, um dos directores clínicos do hospital, revelou ao ‘Independent’, que a administração já solicitou ajuda ao governador do estado de Illinois, onde o estabelecimento de saúde se insere, para clarificar o que diz a lei e se é possível realizar esta alteração na politica de reanimação.
«É uma grande preocupação para todos. É um assunto que sempre comunicámos às famílias e eu acho que elas estão muito conscientes das circunstâncias graves» em que o país se encontra, afirma citado pelo ‘Independent’.
Também os funcionários do ‘George Washington University Hospital’, em Washington, dizem ter tido conversas com o mesmo teor, mas por enquanto vão continuar a reanimar todos os pacientes com Covid-19, utilizando contudo procedimentos alternativos, tais como colocar folhas de plástico sobre o paciente, com o objectivo de criar uma barreira de protecção.
Estes novos protocolos fazem parte de um racionamento maior de procedimentos e equipamentos para salvar vidas, incluindo ventiladores. As preocupações não estão apenas relacionadas com a possibilidade de os profissionais de saúde ficarem doentes, mas também com a eventualidade de poderem vir a transmitir o vírus a outros pacientes no hospital.
Embora os prestadores de serviços de saúde sejam obrigados por juramento a fazer tudo o que podem, dentro dos limites da tecnologia, para salvar a vida de um paciente, à medida que os casos aumentam e se verifica uma escassez nacional de equipamentos de protecção individual, os hospitais começam a implementar medidas de emergência que vão «minimizar, alterar ou interromper totalmente a realização de determinados procedimentos» em pacientes criticos com Covid-19, avança o ‘Independent’.




