O ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, revelou esta quinta-feira que a coreia do Norte já deslocou cerca de 11 mil soldados para apoiar as forças russas na guerra contra a Ucrânia. Segundo Umerov, estas tropas pertencem à chamada “reserva pessoal” de Kim Jong-un e representam mais de 20% dos efetivos dessa força de elite.
“Estes são soldados especialmente selecionados com base em critérios físicos, psicológicos e outros”, afirmou Umerov durante uma conferência de imprensa realizada em Kiev, sublinhando que estas unidades já sofreram “perdas significativas” desde que chegaram a território russo.
De acordo com o ministro ucraniano, há indícios de que Pyongyang ponderou enviar mais tropas para o teatro de guerra, embora essa possibilidade esteja a ser avaliada com cautela, devido ao risco de esvaziar ainda mais as reservas estratégicas da Coreia do Norte e comprometer a estabilidade do próprio regime.
Segundo um relatório publicado a 15 de junho pelos serviços de inteligência militar do Reino Unido, os militares norte-coreanos sofreram mais de 6 mil baixas desde que começaram a ser destacados para a região de Kursk, na Rússia, no outono de 2024. As autoridades britânicas atribuem este elevado número de mortes à natureza altamente desgastante e frontal dos ataques em que as tropas têm sido envolvidas.
Umerov confirmou que já ocorreram pelo menos quatro rotações distintas de unidades da Coreia do Norte no contexto da guerra na Ucrânia e que Kiev, em coordenação com os seus aliados ocidentais, está a seguir de perto os movimentos destas tropas.
A crescente aliança militar entre Moscovo e Pyongyang preocupa cada vez mais as autoridades ucranianas e os seus parceiros internacionais. Em 2024, a Rússia e a Coreia do Norte assinaram um Acordo Abrangente de Parceria Estratégica, que prevê assistência mútua em caso de agressão a qualquer uma das partes. Kim Jong-un descreveu o pacto como “pacífico e defensivo”, mas na prática, observou Umerov, “é a Coreia do Norte que está a suportar o peso militar, sem que a Rússia cumpra a sua parte do acordo”.
Além das tropas, Pyongyang tem contribuído com apoio material substancial. De acordo com os serviços de informação da Coreia do Sul, a Coreia do Norte já forneceu mais de 10 milhões de projéteis de artilharia e mísseis balísticos a Moscovo, em troca de ajuda económica e tecnológica.
O mesmo relatório refere que a Coreia do Norte poderá enviar até 25 mil trabalhadores para a Rússia durante o verão, com o objetivo de reforçar a produção de drones.
Para Rustem Umerov, o recurso da Rússia a forças estrangeiras demonstra “não só uma dependência crescente de regimes totalitários”, como também “problemas sérios com a sua própria capacidade de mobilização”. E concluiu: “Juntamente com os nossos parceiros, estamos a monitorizar estas ameaças e responderemos de forma adequada.”














