Reservas de urânio do Irão devem estar intactas, indicam serviços secretos europeus

Avaliação contraria mensagem de Donald Trump que ataques americanos às instalações nucleares do Irão foram um sucesso

Francisco Laranjeira

Os serviços secretos europeus fizeram uma avaliação inicial do ataque americano às três instalações nucleares do Irão que não deverá agradar ao presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo indicou o ‘Financial Times’, que citou fontes próximas dos serviços secretos, as reservas de urânio enriquecido do Irão devem estar em grande parte intactas.

A publicação apontou que “as capitais europeias acreditam que as reservas iranianas de 400 quilogramas de urânio, enriquecido perto de níveis de qualidade para armas nucleares, não estavam detidas em Fordow” e “podem ter sido transferidas antes dos ataques dos EUA no domingo”.



Uma afirmação já negada pela Casa Branca: a secretária de imprensa Karoline Leavitt rejeitou esta quinta-feira as alegações de que o urânio teria sido deslocado para outras instalações. “Estávamos a observar atentamente e não havia qualquer indicação para os Estados Unidos de que qualquer urânio enriquecido tivesse sido deslocado”, afirmou.

A avaliação inicial dos serviços secretos europeus não deverá agradar ao presidente dos EUA, Donald Trump, que está atualmente envolvido numa luta com as suas próprias agências de espionagem sobre o impacto dos ataques dos EUA a três instalações nucleares iranianas. Esta quinta-feira, o diretor da CIA, John Ratcliffe, afirmou que os ataques tinham causado “danos graves” às instalações nucleares iranianas, depois de um relatório ter minimizado a dimensão da operação.

De acordo com Ratcliffe, os principais locais foram destruídos e teriam de ser reconstruídos “ao longo dos anos”. Mas não apoiou as afirmações de Trump de que a operação sobre o programa nuclear iraniano tinha sido um “sucesso militar espetacular” que tinha “obliterado” as instalações.

As afirmações de Trump foram, no entanto, apoiadas pela Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) que disse esta quarta-feira que os ataques dos EUA e de Israel tornaram o local de enriquecimento subterrâneo de Fordow “inoperável” – a agência sustentou que os ataques “devastadores” “destruíram as infraestruturas críticas do local”.

A nova avaliação dos serviços secretos americanos surge um dia depois da divulgação de um relatório da Agência de Informação da Defesa (DIA) que minimizou a dimensão da destruição e concluiu que as principais componentes do programa nuclear iraniano podiam ser reiniciadas dentro de meses.

No discurso proferido na Cimeira da NATO, em Haia, na quarta-feira, Trump rejeitou essa avaliação, insistindo que os espiões do seu país não tinham uma visão completa e defendeu a sua própria conclusão de que as bombas e os mísseis americanos desferiram um golpe esmagador.

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