Kremlin acusa NATO de explorar “ameaça russa” para “sacar dinheiro aos contribuintes”

A crítica surge na sequência da cimeira da NATO que decorreu ontem, em Haia, nos Países Baixos, e onde os líderes dos 32 Estados-membros reafirmaram o compromisso de elevar os gastos militares até 5% do PIB até 2035.

Pedro Gonçalves
Junho 26, 2025
16:45

O Kremlin acusou esta quinta-feira os países da NATO de utilizarem uma “suposta ameaça” da Rússia como pretexto para aumentar o orçamento de defesa, afirmando que os governos ocidentais estão a recorrer a esse argumento para “sacar dinheiro aos contribuintes” e “abastecer de armas a Ucrânia”. A crítica surge na sequência da cimeira da NATO que decorreu na véspera, em Haia, nos Países Baixos, e onde os líderes dos 32 Estados-membros reafirmaram o compromisso de elevar os gastos militares até 5% do PIB até 2035.

“A suposta ameaça da Rússia, essa ameaça efémera, é uma técnica usada para tirar dinheiro dos contribuintes”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas, segundo declarações reproduzidas pela agência russa Interfax. Peskov reforçou que o verdadeiro objetivo dessa retórica é justificar o contínuo envio de armamento à Ucrânia.



Ainda de acordo com o porta-voz do Kremlin, o presidente russo Vladimir Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nunca discutiram qualquer alegado perigo representado pela Rússia para os países da NATO. “Uma questão dessas nunca é colocada por pessoas sérias”, afirmou Peskov, insinuando que o tema da “ameaça russa” é apenas um artifício político e não uma preocupação genuína ao mais alto nível.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, também reagiu ao novo plano de reforço da despesa militar da NATO, considerando que o impacto na segurança da Federação Russa será “insignificante”.

“Não creio que esse objetivo dos 5% venha a ter um impacto significativo no estado da nossa segurança”, afirmou Lavrov numa conferência de imprensa após um encontro com o seu homólogo do Laos, citado pela agência TASS.

O chefe da diplomacia russa assegurou ainda que Moscovo “sabe quais são os seus objetivos” e que estes são “absolutamente legais”, tanto à luz do Direito Internacional como da Carta das Nações Unidas. “Sabemos também que meios usamos para garantir esses objetivos”, declarou.

A cimeira da NATO em Haia decorreu esta terça-feira e teve como foco principal a guerra na Ucrânia e os potenciais riscos associados à política externa russa. Dela resultou um plano ambicioso de reforço do investimento militar, com um objetivo de 3,5% do PIB em despesas militares diretas e mais 1,5% em gastos relacionados com segurança, a atingir até 2035.

A “ameaça russa” continua a ser um dos eixos centrais do discurso político e estratégico da Aliança Atlântica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, que desencadeou uma profunda reconfiguração das prioridades defensivas dos países ocidentais.

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