O sistema bancário português iniciou o ano com sinais de resiliência e solidez, apesar de uma ligeira contração na rendibilidade dos ativos e do capital próprio. De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal, a rendibilidade do ativo (ROA) situou-se em 1,29% no primeiro trimestre, menos 0,11 pontos percentuais (pp) do que no período homólogo. Já a rendibilidade do capital próprio (ROE) caiu para 13,94%, uma descida de 1,54 pp.
A redução da margem financeira, em particular a diminuição dos juros e rendimentos obtidos com empréstimos a sociedades não financeiras (SNF) e particulares, esteve na origem desta descida. Ainda assim, a diminuição de provisões e imparidades contribuiu para mitigar o impacto negativo nos resultados. O resultado de exploração caiu para 1,74% do ativo médio, refletindo também o aumento deste último.
O custo do risco de crédito recuou para 0,14%, menos 0,05 pp do que há um ano, sinalizando uma menor necessidade de reconhecimento de imparidades. No entanto, o rácio cost-to-income subiu 3,5 pp, para 42,8%, influenciado pelo aumento dos custos operacionais, sobretudo com pessoal, e pela redução do produto bancário.
A qualidade dos ativos manteve a tendência de melhoria. O rácio de crédito malparado (NPL) bruto desceu 0,1 pp face ao trimestre anterior, fixando-se em 2,3%. O rácio líquido de imparidades manteve-se nos 1,1%.
Entre os particulares, os NPL no crédito à habitação diminuíram para 1,2% e, nas SNF, o rácio recuou para 4,0%. O crédito ao consumo e outros fins registou uma ligeira subida, passando para 6,2%.
No que respeita à cobertura dos NPL por imparidades, verificou-se uma descida para 60,4% nas SNF, enquanto entre os particulares aumentou para 50,7%. O rácio de empréstimos em estágio 2 também apresentou evolução favorável nas SNF, diminuindo para 11,8%.
No primeiro trimestre, o ativo total do sistema bancário cresceu 1,6%, impulsionado sobretudo pela valorização de títulos de dívida e pelo aumento dos empréstimos a particulares. O rácio de transformação manteve-se nos 74,9%, com contributos semelhantes dos depósitos de clientes e dos empréstimos concedidos.
A liquidez dos bancos portugueses continua em níveis robustos, apesar de uma redução. O rácio de cobertura de liquidez (LCR) situou-se em 267%, uma descida de 4,6 pp face ao final de 2024, explicada pela diminuição dos ativos líquidos, nomeadamente das disponibilidades nos bancos centrais, e pelo aumento das saídas de liquidez associadas a depósitos não operacionais.






