Putin anuncia a produção em massa de míssil hipersónico “impossível de intercetar”

Oreshnik é um míssil balístico de médio alcance que Moscovo afirma poder atingir velocidades hipersónicas superiores a Mach 10 e transportar, de forma independente, múltiplas ogivas nucleares ou convencionais

Francisco Laranjeira
Junho 26, 2025
15:03

O presidente russo, Vladimir Putin, deu sinal verde para a produção em série do Oreshnik, um míssil balístico de médio alcance que Moscovo afirma poder atingir velocidades hipersónicas superiores a Mach 10 e transportar, de forma independente, múltiplas ogivas nucleares ou convencionais.

O anúncio desta semana marca mais um passo no impasse de Putin com o Ocidente sobre o uso, pela Ucrânia, de armas de longo alcance que podem atingir o coração da Rússia. O Oreshnik — “avelã” em russo — é um míssil móvel de estado sólido com alcance entre 1.000 e 5.500 quilómetros, capaz de atingir alvos em toda a Europa e partes da Ásia.

O seu maior trunfo é a velocidade: atinge Mach 10 (12.348 km/h) e é capaz de manobrar durante o voo, o que o torna extremamente difícil de ser intercetado por sistemas anti-mísseis. Também incorpora a tecnologia MIRV (veículo de reentrada autoindependente), permitindo atingir múltiplos alvos simultaneamente com diferentes tipos de carga útil.

A sua estreia em combate ocorreu a 21 de novembro de 2024. Um Oreshnik atacou a fábrica de defesa de Pivdenmash em Dnipro, Ucrânia, usando 36 submunições inertes para demonstrar precisão e alcance, embora os danos estruturais tenham sido limitados.

O Oreshnik é um derivado do RS-26 Rubezh e do Bulava, dois projetos emblemáticos da engenharia militar russa, e pode ser lançado de plataformas móveis — como os caminhões bielorrussos MZKT-7930 —, o que lhe dá flexibilidade e reduz o risco de ser destruído antes do lançamento.

Putin justificou a produção em massa do Oreshnik como uma resposta direta ao uso de mísseis ocidentais pela Ucrânia — o americano ATACMS e o britânico Storm Shadow. O Kremlin quer fortalecer as suas capacidades de contra-ataque e exibir um desafio à NATO.

A implantação do Oreshnik na Bielorrússia está prevista para o final de 2025, aproximando ainda mais a ameaça das fronteiras da Aliança Atlântica, numa série de ações que lembram os piores momentos da Guerra Fria. De acordo com o analista Igor Korotchenko, citado pelo jornal espanhol ‘El Confidencial’, a sua capacidade de lançar múltiplas ogivas e sua mobilidade o tornam “uma obra-prima da tecnologia de foguetes militares russa”.

No entanto, a produção em massa não será fácil de alcançar. Como apontou a publicação ‘Bulgarian Military’, as sanções ocidentais dificultam o acesso a componentes-chave. Além disso, a inteligência ucraniana relatou que a Rússia depende de equipamentos de fabrico alemães e japoneses para montar o míssil.

De acordo com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, 21 das 39 empresas envolvidas na produção ainda não foram sancionadas, portanto, o endurecimento dessas medidas poderia desacelerar o ritmo de produção do Oreshnik.

O Pentágono estimou que a Rússia possui apenas “um punhado” desses mísseis e que o seu custo e complexidade limitarão a sua implantação em massa. O Instituto para o Estudo da Guerra e o Instituto Real de Serviços Unidos acreditam que o Oreshnik herda a tecnologia de ICBM em vez de inovações radicais, e que o seu impacto imediato é mais psicológico do que militar.

A reação internacional ao anúncio de Putin sobre a produção do Oreshnik foi rápida: a NATO reforçou os seus sistemas de alerta precoce e está a explorar contra-medidas eletrónicas, enquanto a Ucrânia acelerou o desenvolvimento do seu próprio míssil Sapsan.

Além disso, o risco de confusão — considerando que o sistema também é capaz de transportar ogivas nucleares — preocupa especialistas em estabilidade estratégica, pois uma interpretação errónea pode desencadear uma escalada descontrolada. De acordo com os analistas, o verdadeiro perigo reside não apenas na capacidade destrutiva do Oreshnik, mas também no seu potencial para aumentar a tensão, a desconfiança e o risco de erros fatais.

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