Portugal vai atingir a meta proposta para a NATO de 5%? Luís Montenegro revelou, esta quarta-feira, a intenção do Governo português de reforçar o investimento em segurança e Defesa até 3,5% do PIB nos próximos 10 anos.
“Portugal sabe de onde vem a sua segurança – da Aliança Transatlântica”, indicou o embaixador português António Martins da Cruz, à ‘CNN Portugal’, razão pela qual o Governo vai alocar 3,5% do PIB ao que considerou “defesa pura e dura” – os restantes 1,5% podem incluir fundos europeus para infraestruturas ou apoio industrial indireto à defesa.
“Temos 10 anos para renovar o armamento. Os F-16, o equipamento da Marinha e o do Exército precisam de ser atualizados. Mas isso tem de ser feito com planeamento. E, se for preciso mais gente nas Forças Armadas, têm de ser pagos como deve ser”, indicou o responsável.
O major-general Isidro de Morais Pereira destacou que o investimento “não é uma opção, é uma necessidade existencial”, sendo que o valor em questão “é apenas uma gota num oceano de necessidades acumuladas”.
“A nossa capacidade de resposta a ameaças reais, como os mísseis balísticos que vimos no recente ataque do Irão a Israel, é nula, zero”, alertou. “Não temos capacidade antiaérea minimamente eficaz contra ameaças modernas. Isto não é defesa no século XXI. Está na hora de Portugal fazer o trabalho de casa e honrar os compromissos que assumiu.”
Para o major-general, o plano de investimento deve incidir na criação de capacidades inexistentes: sistemas de defesa aérea, reservas estratégicas de armamento e munições, vigilância e interceção marítima e reforço da dissuasão no território nacional e ilhas. “O país tem de poder proteger o Palácio de Belém, a Assembleia da República, as suas barragens, centrais solares, aeroportos, portos, infraestrutura crítica. Hoje, não consegue. Onde estão os nossos abrigos? Não existem. E se formos invadidos? A população está completamente exposta”, alertou.
Os dois especialistas concordaram com a necessidade de atrair milhares de jovens para a vida militar, seja por via contratual como profissional, e para tal são necessárias condições. “É preciso pagar melhor. É preciso dignificar a carreira militar”, indicou o embaixador. “E os salários, quer das Forças Armadas quer da GNR, estão incluídos nesse envelope de 3,5%. Há que fazer uma gestão inteligente e contínua.” Mas não bastam só salários: instalações com melhores condições, equipamentos modernos, estabilidade contratual, programas de formação e valorização da missão militar no seio da sociedade portuguesa são também essenciais.
Espanha foi a exceção da NATO na meta de 5% do PIB. “Tentou contornar esse compromisso com argumentos pouco sustentáveis e vai arrepender-se amargamente das decisões que está a tomar. Os militares espanhóis estão profundamente envergonhados com esta atitude do Governo”, referiu o major-general. “Isso foi uma fantasia do Governo espanhol para distrair a opinião pública das grandes dificuldades que o Governo tem internamente. Agora, com o comunicado da NATO têm de engolir o que disseram antes”, concordou António Martins da Cruz.
Porque Portugal precisa de uma Espanha bem armada e preparada. “Se formos atacados, podemos precisar deles”, reforçaram os especialistas, indicando que Portugal optou estrategicamente por se alinhar com Donald Trump nesta meta. “A nossa segurança depende da NATO, ou seja, depende dos EUA. Quem nos protege de perigos e ameaças não é a União Europeia”, destacou António Martins da Cruz. “Ao mostrarmos compromisso, ganhamos confiança dos nossos aliados. E isso traduz-se, em última instância, em mais segurança para nós. Se queremos merecer a ajuda dos outros, temos de ser os primeiros a dar o exemplo”, indicou o major-general Isidro de Morais Pereira.



