Criptomoeda “fantasma” da Rússia movimenta 8 mil milhões de euros e levanta suspeitas de contorno às sanções do Ocidente

Uma nova criptomoeda russa, criada para contornar as sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia, movimentou mais de 9,3 mil milhões de dólares (8 mil milhões de euros) desde fevereiro de 2025, revelou uma investigação do Financial Times.

Executive Digest

Uma nova criptomoeda russa, criada para contornar as sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia, movimentou mais de 9,3 mil milhões de dólares (8 mil milhões de euros) desde fevereiro de 2025, revelou uma investigação do Financial Times.

Lançado no Quirguistão, o token A7A5 é a primeira stablecoin indexada ao rublo russo e está já a ser utilizado em operações de larga escala através da bolsa Grinex, exclusivamente dedicada a esta moeda.



A stablecoin foi desenvolvida pela empresa A7, controlada pelo oligarca moldavo Ilan Șor, atualmente exilado na Rússia e sob sanções do Reino Unido. Segundo os promotores do projeto, o token é lastreado em depósitos em rublos no banco russo Promsvyazbank – uma instituição sob sanções da União Europeia, Reino Unido e EUA por envolvimento no setor de defesa russo.

Apesar de ter apenas 12 mil milhões de tokens em circulação, o A7A5 regista diariamente transações cujo volume ultrapassa várias vezes esse montante, o que levanta dúvidas sobre o verdadeiro propósito da moeda digital. Um relatório do Centre for Information Resilience (CIR), sediado em Londres, associa ainda o token a campanhas de influência política promovidas por Moscovo no estrangeiro.

A análise do Financial Times revela que 124 carteiras digitais transferiram, em poucos meses, mais de 9 mil milhões de dólares em A7A5 dentro da rede Grinex, uma plataforma fundada na mesma semana que a emissão do token. A Grinex nega qualquer ligação à Garantex, antiga corretora de criptomoedas russa encerrada pelos EUA, mas especialistas afirmam que poderá estar a funcionar como sua sucessora.

Para muitos analistas, este novo sistema poderá representar uma tentativa deliberada de criar uma infraestrutura financeira alternativa, fora do controlo do sistema ocidental. Os utilizadores russos podem comprar A7A5 nas blockchains Tron ou Ethereum, converter em USDT (Tether) – uma stablecoin atrelada ao dólar – e fazer levantamentos em qualquer moeda ou país.

O objetivo assumido é garantir transações seguras para importadores e exportadores russos, mas a opacidade das operações e as ligações a entidades sancionadas colocam esta stablecoin sob forte escrutínio internacional. A empresa garante que todas as reservas fiduciárias são auditadas no Quirguistão e que opera em conformidade com as regras internacionais, mas recusa esclarecer ligações ao Keremet Bank, também sancionado, e a atividades políticas de Ilan Șor na Moldávia.

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