O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou esta quarta-feira, 25 de junho, a sua participação na cimeira da NATO em Haia com uma conferência de imprensa dominada pelo confronto com o Irão, a exigência de maior investimento dos aliados em defesa e a revelação de contactos com Vladimir Putin e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Trump manteve um encontro bilateral com Zelensky à margem da cimeira, que descreveu como “substancial”. O presidente ucraniano referiu que a reunião teve como objetivo explorar formas de alcançar a paz e proteger os cidadãos da Ucrânia, insistindo na necessidade de um cessar-fogo duradouro. “Falámos de como proteger o nosso povo, como conseguir um cessar-fogo justo e um plano de paz real”, afirmou Zelensky.
Pouco depois, na conferência de imprensa de encerramento, Trump revelou ter falado recentemente ao telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, a quem pediu diretamente que colaborasse num acordo de paz. “Disse-lhe: ‘Ajuda-me a conseguir um acordo contigo.’ Sei uma coisa: ele gostaria de resolver isto. Ele quer sair desta situação, é uma confusão para ele”, declarou Trump.
I had a long and substantive meeting with President Trump @POTUS.
We covered all the truly important issues.
I thank Mr. President, I thank the United States.
We discussed how to achieve a ceasefire and a real peace.
We spoke about how to protect our people.
We appreciate the…— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) June 25, 2025
“Aniquilação total” do programa nuclear iraniano
Trump concentrou grande parte da sua intervenção em justificar os ataques norte-americanos contra três principais instalações nucleares do Irão, realizados no fim de semana anterior. O presidente garantiu que os bombardeamentos com “bunker busters” causaram uma destruição total. “Obliterámos as instalações nucleares do Irão”, disse, contrariando a avaliação inicial da Agência de Inteligência de Defesa, que indicava que o programa teria sido apenas atrasado por alguns meses.
“Desde então recolhemos mais informações e falámos com pessoas que viram os locais. Pensamos que tudo o que era nuclear foi destruído. Eles não conseguiram tirar nada antes. Foi tão rápido e tão forte que não houve tempo para moverem os materiais”, afirmou Trump, sublinhando que os alvos estavam “30 a 35 andares abaixo do solo”.
O presidente revelou ainda que o Irão deu aviso prévio do ataque a uma base norte-americana no Qatar. “Disseram: ‘Vamos disparar, às 13h está bem?’ Eu disse que sim, tudo bem”, afirmou, minimizando o impacto do ataque e sugerindo que houve uma comunicação prévia para evitar vítimas.
Negociações com Teerão poderão ocorrer já na próxima semana
Apesar da retórica dura, Trump indicou abertura para negociações com o regime iraniano. “Vamos reunir com eles, na verdade. Vamos reunir com eles”, disse, adiantando que as conversações poderão decorrer já na próxima semana. No entanto, desvalorizou a necessidade de um novo acordo: “Não me importa se temos um acordo ou não. A única coisa que estamos a pedir é o que já pedíamos antes: nenhum nuclear. Mas destruímos o nuclear. Em outras palavras, está destruído.”
Críticas duras a Espanha: “Terrível” não cumprir os 5%
Na frente da NATO, Trump saudou o compromisso histórico de vários aliados em aumentarem a despesa em defesa para 5% do PIB, medida que considera ser “uma vitória para a Europa e para a civilização ocidental”. “Tudo isto será feito rapidamente, quase de imediato”, prometeu.
No entanto, o presidente reservou duras palavras para Espanha, por não ter aderido à nova meta. “É terrível que a Espanha se recuse a pagar os 5%”, disse. “É injusto para a NATO. Eu não vou permitir que isto aconteça.” Trump acrescentou que fará com que Madrid pague mais no âmbito das negociações comerciais em curso: “Vão pagar mais num acordo comercial que estamos a negociar.”
Apesar das críticas, Trump elogiou os líderes aliados que se comprometeram com o aumento da despesa. “Esses líderes amam os seus países, foram muito respeitosos comigo. Quando estive à mesa, era um grupo muito bom. Quase todos disseram: ‘Graças aos Estados Unidos. A NATO não funcionaria sem os EUA.’ Estamos aqui para os ajudar a proteger os seus países”, afirmou.
No tom mais descontraído que por vezes caracteriza as suas intervenções, Trump elogiou a receção da família real holandesa. “O rei e a rainha são lindíssimos, saídos diretamente de um casting”, declarou. Também se mostrou encantado com a natureza dos Países Baixos: “As árvores são incríveis — queria levar algumas comigo.”




