Em julho vão cumprir 80 anos após os ataques nucleares às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki: mais de 200 mil pessoas — a maioria civis — morreriam até ao final do ano como consequência direta das explosões, sendo que muitos dos sobreviventes ficaram com efeitos na saúde a longo prazo.
Até o momento, esses são os únicos casos de armas nucleares que foram utilizadas numa guerra: a realidade, no entanto, diz-nos que no início de 2025 havia pouco mais de 12.200 ogivas no mundo.
Então, o que aconteceria se uma guerra nuclear ocorresse amanhã?
É só uma hipótese, naturalmente, mas face à incerteza recente vivida no mundo, já não tão pequena assim. Por isso a equipa da ‘AsapSCIENCE’ analisou a ciência por trás das bombas nucleares para prever a possibilidade de sobreviver – pode ver o vídeo aqui.
Em primeiro lugar, não há uma forma clara de estimar o impacto de uma bomba nuclear, uma vez que depende de múltiplos fatores, tal com o clima, a hora do dia a que é denotada, a disposição geográfica ou se explode no solo ou no ar.
Mas, de modo geral, existem alguns estágios previsíveis da explosão de uma bomba nuclear que podem afetar a sua probabilidade de sobrevivência. Se quiser ter uma noção, por exemplo, do impacto em Lisboa, explore esta página.
Aproximadamente 35% da energia de uma explosão nuclear é libertada na forma de radiação térmica. Como esta viaja aproximadamente à velocidade da luz, a primeira coisa que o atingirá é um clarão de luz e calor ofuscantes. A luz em si é suficiente para causar cegueira instantânea – uma forma geralmente temporária de perda de visão que pode durar alguns minutos.
De acordo com a equipa da ‘AsapSCIENCE’, numa bomba de 1 megaton – 80 vezes maior que a bomba detonada sobre Hiroshima, mas muito menor que muitas armas nucleares modernas – pessoas a até 21 quilómetros de distância sofreriam cegueira instantânea num dia claro, e pessoas a até 85 quilómetros de distância ficariam temporariamente cegas se fosse uma noite clara.
O calor é um problema para quem está mais perto da explosão. Queimaduras leves de primeiro grau podem ocorrer a até 11 quilómetros de distância, e queimaduras de terceiro grau – o tipo que destroem e formam bolhas no tecido da pele – podem afetar qualquer pessoa a até 8 quilómetros de distância. Queimaduras de terceiro grau que cobrem mais de 24% do corpo provavelmente seriam fatais se as pessoas não recebessem atendimento médico imediatamente.
Essas distâncias são variáveis, dependendo não apenas do clima, mas também do que está a vestir: roupas brancas podem refletir um pouco da energia de uma explosão, enquanto roupas mais escuras absorvem-na.
Estima-se que o centro de uma arma nuclear de 1 megaton possa gerar temperaturas próximas a 100 milhões de graus Celsius, ou aproximadamente cinco vezes a temperatura do núcleo do Sol. Isso seria mais do que suficiente para reduzir instantaneamente um corpo humano aos seus elementos mais básicos, como o carbono.
Mas para aqueles um pouco mais distantes do centro da explosão, há outros efeitos a serem considerados: a explosão nuclear também afasta o ar do local do imapcto, criando mudanças repentinas na pressão atmosférica que podem esmagar objetos e derrubar edifícios.
Num raio de 6 quilómetros, as ondas de choque produziriam 180 toneladas métricas de força nas paredes de todos os prédios de dois andares, com ventos de 255 quilómetros por hora. Num raio de 1 quilómetro, a pressão máxima é quatro vezes maior, e os ventos podem chegar a 756 quilómetros por hora. Tecnicamente, os humanos podem suportar tanta pressão, mas a maioria das pessoas morreria se prédios caíssem.
Se, de alguma forma, sobreviver a tudo isso, ainda poderá ter de lidar com uma grande quantidade de envenenamento por radiação.














