Apesar das declarações públicas sobre a procura pelo diálogo com os EUA, o Kremlin está a expandir discretamente a cooperação militar com a China, denunciou esta terça-feira o jornal ucraniano ‘Kyiv Post’: segundo fontes na Direção de Inteligência de Defesa da Ucrânia (HUR), Moscovo prepara-se para receber cerca de 600 militares chineses este ano para treino em bases e centros militares das Forças Armadas russas.
“O Kremlin decidiu permitir que militares chineses estudem e adotem a experiência de combate que a Rússia adquiriu na sua guerra contra a Ucrânia”, apontou fonte do HUR. Os militares chineses vão ser treinados para combater armamentos ocidentais, com foco na preparação de operadores de tanques, artilheiros, engenheiros e especialistas em defesa aérea, o que ressalta o facto de que “tais decisões de Moscovo e Pequim ilustram claramente a intenção do regime russo de se alinhar à China num confronto global com o Ocidente”.
No início do mês passado, o presidente Volodymyr Zelensky disse que a China parou de vender drones para Kiev e outros países europeus, mas continuou e enviá-los para a Rússia. Os drones têm sido uma característica marcante da guerra da Ucrânia, proporcionando a ambos os lados a oportunidade de ver o campo de batalha e atacar bem atrás das linhas inimigas. Inicialmente, a Ucrânia dependia inteiramente de drones chineses importados, como o DJI Mavic, mas agora tem capacidade para fabricar um grande número de drones internamente.
“A Mavic chinesa está aberta para russos, mas fechada para ucranianos”, disse Zelensky a um grupo de repórteres na terça-feira. “Há linhas de produção em território russo onde há representantes chineses”, informou a ‘Bloomberg’.
Desde que a Rússia ordenou o envio de tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022, Pequim tem-se apresentado como parte neutra no conflito, mas o Ocidente tem acusado Pequim de facilitar a Rússia económica e diplomaticamente.




