Espanha atravessa um período de grande incerteza no setor elétrico depois do apagão de 28 de abril último, que deixou a Península Ibérica ‘às escuras’ durante várias horas. Enquanto a Red Eléctrica e as empresas de energia trocam acusações mútuas, o sistema elétrico do país vizinho este perto de viver novo apagão após um estado de tensão máxima. Na noite de 17 de junho, às 19h50, a central nuclear de Almaraz foi acidentalmente desligada devido a uma quebra de procura, o que poderia ter conduzido um novo incidente no setor elétrico.
No dia 18, Almaraz I notificou o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) sobre o fecho não programado do reator devido à operação inesperada de um relé de proteção do gerador principal, que ativou o sistema de proteção do reator. A operação do relé foi causada pela abertura de uma válvula de sobrepressão numa das fases do transformador principal, acionando um dispositivo de proteção no gerador principal.
A operação reforçada da Red Eléctrica, com uma maior presença de centrais a gás, permitiu ultrapassar este problema na ocasião, tal como aconteceu em janeiro quando o segundo grupo de Almaraz também se desligou, mas neste caso devido a um problema de controlo de tensão na rede elétrica.
Marta Castro, diretora de Regulação da Aelec, indicou, citada pelo ‘El Economista’, indicou que “há alguns dias, o sistema perdeu 1.100 MW, e nenhuma das centrais espanholas ficou sem energia porque não houve problema. O que isso significa? Isso demonstrou que, com centrais síncronas suficientes, o sistema é capaz de suportar interrupções significativas na geração ou na procura. Mas, para que essa resiliência funcione, é necessária uma gestão adequada.”
Um relatório da Aelec apontou que o número de cortes de energia devido a sobretensões aumentou de cerca de 30 em 2021 para quase 140 em 2023.




