Combustíveis, crédito habitação e energia: como é que o conflito no Irão afetará os portugueses?

Anúncio do Parlamento iraniano sobre a possibilidade de bloquear o Estreito de Ormuz já está a causar preocupação nos mercados internacionais

Francisco Laranjeira

O clima no Médio Oriente está mais ‘explosivo’ do que nunca, com as tensões entre Israel e Irão a deixar a comunidade internacional apreensiva, sendo que o clima aqueceu após a interferência de Donald Trump. Como em qualquer guerra, as consequências podem ser fatais, até mesmo para a economia. De facto, o anúncio do Parlamento iraniano sobre a possibilidade de bloquear o Estreito de Ormuz já está a causar preocupação nos mercados internacionais.

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima por onde passa aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo e é o epicentro da nova ameaça geopolítica. Embora, por enquanto, seja apenas uma proposta pendente de aprovação do líder supremo Ali Khamenei, indicou a publicação espanhola ‘El Confidencial’, os efeitos da sua mera menção já foram sentidos, visto que os mercados são muito sensíveis a esse tipo de pressão.



Como o fecho do Estreito afetaria os mercados europeus?

O analista económico Marc Vidal, colaborador do “Herrera en COPE”, alertou que mesmo a ameaça de interromper essa passagem estratégica gera um aumento quase imediato nos preços da energia. A razão para essa rápida reação do mercado reside na enorme dependência global do petróleo bruto que flui pelo estreito, com mais de três milhões de barris por dia em jogo.

Algumas estimativas preveem aumentos de preços de até 20 cêntimos por litro, o que seria um golpe direto no bolso dos consumidores europeus, já sobrecarregados pela inflação persistente. O aumento dos preços do petróleo também tem consequências de longo alcance, do transporte aos preços dos alimentos.

Efeitos sobre contratos de crédito habitação

Uma consequência menos visível é o efeito que esse aumento no preço da energia teria sobre as hipotecas de taxa variável. Num contexto de tensões inflacionárias, o Banco Central Europeu (BCE) encontrar-se-ia numa posição desconfortável. Após ter iniciado uma tímida trajetória de cortes nas taxas de juros, a autoridade monetária poderia ser forçada a interrompê-los ou até mesmo revertê-los.

O ‘repasse inflacionário’, mecanismo pelo qual o aumento dos preços das commodities é repassado para toda a economia, compromete a estratégia do BCE de reativar o crescimento sem perder de vista o seu principal objetivo: conter a inflação.

Como os países podem enfrentar a crise

Os Estados Unidos poderiam enfrentar esta crise com maior margem de manobra graças às suas reservas estratégicas de petróleo, o que lhes permitiria amortecer os efeitos de curto prazo. A Europa, por outro lado, encontra-se numa posição mais vulnerável. A dependência energética estrangeira continua a ser um dos calcanhares de Aquiles do Velho Continente.

A China, uma das principais importadoras de petróleo iraniano, também seria afetada. No entanto, conta com uma ‘proteção’ que falta à Europa: os seus acordos energéticos de longo prazo com a Rússia, que poderiam fornecer uma rota de fuga nesse contexto.

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