Apesar das graves ameaças do Irão para tentar dissuadir Donald Trump de se juntar à campanha de bombardeamento de instalações nucleares por parte de Israel, as opções do Irão são agora limitadas, e cada uma delas vem com enormes riscos.
Nos últimos dias, as autoridades iranianas ameaçaram que as bases e os navios militares americanos seriam alvos, apesar de muitas das capacidades de dissuasão do Irão terem sido perdidas em ataques israelitas recentemente. Visando as capacidades militares iranianas, os ataques israelitas concentraram-se nos lançadores de mísseis balísticos de longo alcance.
Uma das ferramentas mais importantes do Irão para responder é a sua rede de coligações regionais, o chamado “Eixo da Resistência”, mas também isso tem sido recebido como um sinal de fraqueza, após as ofensivas israelitas contra os aliados iranianos.
O grande arsenal de mísseis do Hezbollah foi destruído pela força aérea israelita no ano passado, com o país a bombardear um possível depósito de mísseis a sul de Beirute em abril para manter o grupo xiita libanês sob controlo.
No Iraque, o grupo da milícia Kataeb Hezbollah, apoiado por Teerão, ameaçou atacar os interesses americanos na região. Um dos comandantes do grupo, Abu Ali al-Askari, disse à rede CNN que as bases americanas na região “tornar-se-ão campos de caça aos patos”.
Os houthis do Iémen, outro aliado do Irão, chegaram a um acordo de cessar-fogo com os EUA em maio último, mas alertaram que se Trump se envolvesse num ataque ao Irão, considerariam o cessar-fogo contaminado e visariam navios americanos no Mar Vermelho.
Outra opção para o Irão é atacar as rotas marítimas da região, nomeadamente através de ofensivas contra navios, minas e até o eventual fecho do Estreito de Ormuz, que no seu troço mais estreito conta apenas com 55 quilómetros de largura, mas por onde passam, diariamente, mais de 20 milhões de barris de petróleo e grande parte do GNL do mundo.
No entanto, a ação seria um duro golpe para a própria economia do Irão. As exportações de petróleo do país também são realizadas através do mesmo estreito, e o encerramento de Ormuz pode empurrar os estados árabes do Golfo, que se opuseram ao ataque de Israel, para a guerra de forma a defender os seus interesses.
Numa análise ao ataque aéreo de Trump ao Irão, o jornal israelita ‘The Jerusalem Post’ descreveu-o como uma mensagem clara a Teerão: o Irão deve escolher entre continuar no seu caminho atual ou voltar à mesa das negociações. Donald Trump expressou esperança de que o Irão volte às negociações sobre a redução do programa nuclear do Irão, mas alertou que, se recusar, poderão ser realizados mais ataques.











