O Irão anunciou esta segunda-feira que está a preparar aquele que descreve como o “maior e mais intenso ataque de mísseis da história em solo israelita”, segundo informação avançada pelos meios de comunicação estatais iranianos e citada pela agência Reuters.
Desde sexta-feira, Israel tem intensificado os ataques aéreos sobre território iraniano, tendo lançado a ofensiva com uma operação surpresa que resultou na morte de quase toda a cúpula das forças armadas do Irão e dos principais responsáveis pelo seu programa nuclear. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou, durante uma visita a uma base aérea, que Israel está no “caminho para a vitória” e que o país pretende “aniquilar o programa nuclear iraniano e destruir os seus mísseis”. O líder israelita dirigiu também um aviso à população da capital iraniana: “Estamos a dizer aos cidadãos de Teerão: evacuem — e estamos a agir”, declarou, citado pela Reuters.
Em resposta, o Irão lançou, pela primeira vez em décadas de guerra sombra e confrontos por procuração, ataques directos que conseguiram perfurar as defesas israelitas e causar vítimas civis. Pelo menos 24 israelitas morreram, todos civis, na sequência dos mísseis disparados por Teerão, segundo as autoridades locais. A televisão israelita transmitiu imagens de equipas de resgate a procurar sobreviventes nos escombros de habitações destruídas.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, apelou a uma intervenção dos Estados Unidos: “Se o presidente Trump está genuinamente interessado na diplomacia e em travar esta guerra, os próximos passos são decisivos. Israel deve cessar a agressão militar contra nós; caso contrário, as nossas respostas continuarão”, escreveu na rede X. O governante iraniano defendeu ainda que “um telefonema de Washington bastaria para travar alguém como Netanyahu e abrir caminho ao regresso da diplomacia”.
Fontes citadas pela Reuters indicam que o Irão pediu a países como o Qatar, a Arábia Saudita e Omã para pressionarem Donald Trump a influenciar Israel no sentido de aceitar um cessar-fogo imediato. Em contrapartida, Teerão estaria disposto a mostrar maior flexibilidade nas negociações sobre o seu programa nuclear.
Os últimos ataques iranianos atingiram as cidades de Telavive e Haifa antes do amanhecer desta segunda-feira, causando a morte de pelo menos oito pessoas e ferimentos em mais de 100. As forças iranianas afirmaram ter usado um novo método que levou os sistemas defensivos israelitas a dispararem uns sobre os outros, permitindo a passagem dos mísseis. “O ditador arrogante de Teerão tornou-se um assassino cobarde que ataca civis para tentar dissuadir as nossas forças armadas”, acusou o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometendo: “Os habitantes de Teerão pagarão o preço, e em breve”.
No Irão, os ataques israelitas já provocaram a morte de mais de 224 pessoas, a maioria civis, e deixaram um rasto de destruição nas principais cidades. A televisão estatal transmitiu imagens de edifícios presidenciais colapsados, carros carbonizados e ruas devastadas na capital. Muitos habitantes tentam abandonar Teerão em direcção a cidades vizinhas, perante filas nos postos de combustível e caixas multibanco sem dinheiro. “Estou desesperado. Os meus dois filhos estão aterrorizados e não conseguem dormir por causa das explosões. Não temos para onde ir. Escondemo-nos debaixo da mesa da sala”, relatou Gholamreza Mohammadi, funcionário público de 48 anos, à Reuters.
Também Arshia, professor de artes de 29 anos, contou estar a fugir com a família para Damavand, a cerca de 50 quilómetros a leste de Teerão: “Os meus pais estão cheios de medo. Não há sirenes de alerta aéreo nem abrigos. Porque estamos nós a pagar o preço pelas políticas hostis da República Islâmica?”, desabafou, sob anonimato, temendo represálias.
A instabilidade gerada pelo conflito fez disparar os preços do petróleo na sexta-feira, perante o receio de perturbações no fornecimento a partir do Golfo Pérsico. Contudo, esta segunda-feira, os preços recuaram mais de dois dólares por barril, após notícias de que o Irão estaria a procurar um entendimento para pôr fim às hostilidades, o que alimentou expectativas de uma possível trégua.
Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instou o Irão a retomar o diálogo: “Têm de fazer um acordo. É doloroso para ambos os lados, mas eu diria que o Irão não está a ganhar esta guerra. Deviam negociar imediatamente, antes que seja demasiado tarde”, afirmou, durante um encontro com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Ainda assim, o cenário de paz parece distante. As negociações entre Teerão e Washington, que estavam previstas para domingo em Omã, foram canceladas devido à continuação dos ataques. No parlamento iraniano, alguns deputados chegaram a sugerir a saída do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o que seria um sério revés para quaisquer avanços diplomáticos.







