“Ninguém fiscaliza”: inquilinos avançam com 30 medidas para o mercado de arrendamento e deixam apelo ao Governo

Associação dos Inquilinos Lisbonenses (AIL) preparou documento com sugestões para resolver problema da habitação

Revista de Imprensa

As habitações para arrendar devem constar de uma Plataforma Nacional de Registo do Arrendamento, sugeriu esta quinta-feira a Associação dos Inquilinos Lisbonenses (AIL), para, em conexão com uma Autoridade Fiscalizadora do Arrendamento, melhor controlar o mercado, apontou o ‘Jornal de Negócios’.

Estas são duas medidas de 30 propostas pela AIL para resolver os problemas da habitação, às quais se soma a necessidade de “estabelecer um padrão de controlo de rendas”. Foi ainda proposta a criação de seguros de renda, para “credibilizar o arrendamento habitacional”: este deve ser subscrito pelo proprietário, a par de um seguro multirrisco, este de responsabilidade do inquilino e igualmente “universal e obrigatório”, que permitiria eliminar “outras garantias abusivas e excessivas, como cauções ou fianças”.



Pedro Ventura, presidente da AIL, sublinhou que “o Governo tem de decidir se quer mesmo meter as mãos na massa e avançar com medidas concretas, ou se tudo vai continuar como está”. “Anúncios não são suficientes e a construção de nova habitação claramente não está ainda a produzir efeitos e o número [de novos fogos] é curto”, apontou.

A atuação do Governo de Luís Montenegro, “em 11 meses, não teve tempo para implementar algumas medidas”, frisou o responsável, lembrando que foram tomadas medidas “que consideramos positivas”, como a proteção dos inquilinos com rendas antigas. No entanto, também assumiu medidas negativas, como a garantia pública à compra de habitação por jovens, “que beneficia os que já têm mais recursos financeiros e acaba por retirar casas do mercado de arrendamento”.

No documento que vai ser entregue ao Governo e à Assembleia da República, a AIL destacou a situação dos imigrantes em Portugal, que chegam “sem o necessário acolhimento e apoio das entidades públicas” e enfrentam “a recusa sistemática de arrendamentos, vivendo em alojamentos sobrelotados, precários e insalubres”, em “garagens ou armazéns sem condições”.

Nesses casos, a fiscalização assume particular importância. “A verdade é que ninguém fiscaliza”, lamentou Pedro Ventura. “Nem a Autoridade Tributária, para as rendas que não são declaradas ao Fisco, nem a ASAE, sendo o arrendamento uma atividade económica, nem as câmaras, que têm a responsabilidade, mas sem o necessário envelope financeiro que garanta os meios.”

Por último, a AIL defendeu que se deve insistir na regulação das funções do alojamento local, para conter “a já exagerada transformação de edifícios habitacionais em alojamento turístico”.

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