Barbie é a mais recente ‘vítima’ das tarifas de Trump

A Mattel, empresa responsável pela produção da boneca, anunciou esta segunda-feira que vai aumentar os preços dos seus brinquedos no mercado norte-americano e rever a sua estratégia de produção, transferindo parte da manufatura para fora da China.

Pedro Gonçalves

A icónica boneca Barbie prepara-se para ficar mais cara nos Estados Unidos, numa consequência direta da guerra comercial intensificada pelo presidente Donald Trump contra produtos fabricados na China. A Mattel, empresa responsável pela produção da boneca, anunciou esta segunda-feira que vai aumentar os preços dos seus brinquedos no mercado norte-americano e rever a sua estratégia de produção, transferindo parte da manufatura para fora da China.

A decisão surge na sequência da imposição de tarifas punitivas de 145% sobre brinquedos chineses por parte da administração Trump, que justifica a medida com a necessidade de corrigir um alegado tratamento desigual por parte de Pequim nas relações comerciais com os Estados Unidos. A Mattel, que até agora fabricava cerca de 40% dos seus produtos em território chinês, assume que as novas tarifas tornaram o planeamento financeiro “imprevisível”, levando mesmo a empresa a retirar as suas previsões para 2025. “A evolução do panorama tarifário nos EUA torna difícil prever o comportamento do consumidor”, justificou a empresa em comunicado.



Em resposta à nova realidade, a fabricante norte-americana avançou que está a diversificar a sua cadeia de abastecimento e a implementar “ações ao nível dos preços” no seu mercado doméstico. Ou seja, os brinquedos vão mesmo encarecer, incluindo a popular Barbie — símbolo de várias gerações e um dos produtos com maior peso na faturação da Mattel.

Apesar dos receios de consumidores e fabricantes, Donald Trump desvalorizou os efeitos das tarifas sobre os preços e a oferta de brinquedos. “Bem, talvez as crianças passem a ter duas bonecas em vez de 30, e talvez essas duas custem mais uns poucos dólares”, afirmou o presidente na semana passada. Trump tem repetido esta linha argumentativa, apresentando as suas políticas como um incentivo a um consumo menos excessivo.

No entanto, a realidade do setor mostra-se bem mais preocupante. De acordo com um inquérito realizado no mês passado pela Toy Association — uma organização representativa da indústria de brinquedos — junto de 400 empresas norte-americanas, quase metade teme não conseguir sobreviver às novas tarifas impostas pela Casa Branca. Para muitas dessas empresas, cuja produção depende largamente da China, os aumentos de custo e a disrupção nas cadeias logísticas poderão ter efeitos devastadores.

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