Maio será marcado por um novo e mais expressivo alívio nas prestações do crédito habitação, com as taxas Euribor a registarem descidas mais acentuadas do que inicialmente se esperava. A redução vai permitir poupanças mensais que podem chegar aos 134 euros, de acordo com as simulações da DECO PROteste, divulgadas por Nuno Rico em declarações à Executive Digest.
O especialista explica que “ao contrário daquilo que seria de esperar no final do mês passado”, quando os sinais apontavam para um abrandamento no ritmo de descida das prestações, “vamos assistir agora em maio a um regresso intensificado às descidas”. Este movimento foi impulsionado por novos desenvolvimentos geopolíticos: “O facto de a guerra comercial de Trump ter sido exacerbada levou a que o BCE também insistisse na descida das taxas de juro”, justificou o economista.
O que dizem os números?
Com base num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos e um spread de 1%, eis o que os mutuários podem esperar:
- Euribor a 12 meses: regista uma taxa média de 2,143%, o que traduz uma prestação mensal de 644,03 euros – uma poupança de 134 euros em comparação com o valor pago há um ano (778 euros). Esta é a maior redução mensal desde o início da tendência de descida. “A descida no mês passado tinha sido de 114 euros, e agora acelerou para 134 euros, portanto, mais 20 euros em relação à comparação”, destacou Nuno Rico.
- Euribor a 6 meses: apresenta uma média de 2,202%, a mais baixa desde novembro de 2016. Isto traduz-se numa prestação de 648,86 euros, representando uma poupança de 67 euros face à revisão anterior, há seis meses.
- Euribor a 3 meses: com uma média de 2,249%, a prestação fica agora nos 652,73 euros, menos 38 euros em relação à última revisão trimestral.
Apesar da incerteza global, o especialista da DECO PROteste admite que esta tendência de descida deverá manter-se nos próximos meses. “É uma boa notícia perante este cenário, e perante as eventuais consequências económicas que se venham a verificar no âmbito das tarifas de Trump e da guerra comercial desencadeada”, afirmou.
Cautela no horizonte
Ainda assim, Nuno Rico deixa um alerta: “Só temos uma certeza, que é a incerteza”. O contexto internacional continua instável, com conflitos no Leste da Europa e no Médio Oriente, além dos impactos comerciais da guerra de tarifas. “É muito difícil prever a tendência. Se antes olhávamos para um prazo muito curto, agora temos de olhar para um prazo ainda mais curto”, alertou.
Nesse sentido, o economista aconselha os consumidores a prepararem-se. “Quem está a pensar comprar casa deve perceber que o mercado está muito caro e o esforço financeiro pode ser insustentável no futuro.” Já quem já tem crédito habitação e está agora a sentir alívio, deve aproveitar esta folga para amortizar o empréstimo. “É fundamental estar preparado para uma possível inversão deste cenário”, concluiu.
Assim, maio poderá traduzir-se num importante balão de oxigénio para muitas famílias portuguesas — mas também é uma oportunidade para agir com prudência e planear o futuro com olhos postos na volatilidade dos mercados.



