A Aliança Democrática (AD), coligação que junta PSD e CDS-PP, reforçou a sua liderança nas intenções de voto e distancia-se agora em seis pontos percentuais do Partido Socialista (PS), segundo a mais recente sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o jornal Público, RTP e Antena 1. O estudo, realizado entre 21 e 24 de abril, atribui 32% das intenções de voto à coligação liderada por Luís Montenegro — um crescimento de três pontos face a março —, ao passo que o PS, de Pedro Nuno Santos, recua um ponto, fixando-se nos 26%.
Apesar de, tecnicamente, ainda subsistir um empate estatístico, a distância entre as duas maiores forças políticas tornou-se agora mais expressiva. Com uma margem de erro de 2,8%, apenas um cenário extremo — que conjugasse o pior resultado possível para a AD e o melhor para o PS — permitiria um empate nos 29%. Com este avanço, a AD aproxima-se dos 33% que o Cesop lhe atribuía em outubro de 2023, recuperando terreno perdido nos últimos meses.
O Chega também sobe nesta sondagem, crescendo dois pontos percentuais e atingindo os 19%, consolidando-se como a terceira maior força política. Esta subida coloca o partido de André Ventura acima do resultado obtido nas legislativas antecipadas de março de 2024. A CDU (coligação entre PCP e PEV) regista igualmente uma ligeira subida para os 4%, possivelmente impulsionada pelas boas prestações de Paulo Raimundo nos debates televisivos. Já o Bloco de Esquerda (BE) desce dois pontos, para os 3%, ficando atrás da CDU. A Iniciativa Liberal (IL) recua para 6%, enquanto o Livre mantém os 5% e o PAN desce para 1%. As formações mais pequenas encontram-se praticamente empatadas, com apenas três pontos percentuais a separar a IL, quarta força, do BE, na sétima posição.
Se a posição de Montenegro de afastar qualquer entendimento com o Chega se mantiver, a soma das intenções de voto da AD com a IL atinge os 38%. Por outro lado, uma eventual aliança entre o PS, o Livre, a CDU, o BE e o PAN chegaria aos 39%. No que diz respeito à intenção directa de voto — sem redistribuição dos indecisos, que permanecem nos 15% —, a AD recolhe 25%, o PS 20%, o Chega 15%, a IL 5%, o Livre 4%, enquanto CDU e BE empatam nos 2%, e o PAN não atinge 1%.
A fidelidade dos eleitores varia significativamente entre partidos. Entre os que votaram na AD em 2024, 73% afirmam manter a intenção de voto, sendo que 22% dos antigos eleitores da IL e 25% do PAN declaram agora preferir a coligação PSD/CDS. No caso do PS, 71% dos eleitores mantêm-se fiéis, enquanto 16% dos antigos eleitores do BE e 9% do Livre indicam agora voto nos socialistas. A migração entre os dois maiores partidos continua reduzida: apenas 6% dos ex-eleitores do PS consideram agora votar na AD, enquanto 1% dos antigos eleitores da AD admitem trocar pelo PS.
As tendências variam também consoante o perfil sociodemográfico dos inquiridos. A AD lidera entre as mulheres (24%), seguida pelo PS (19%), enquanto entre os homens há um empate técnico entre AD (25%), PS (20%) e Chega (20%). Nos eleitores mais jovens (18-34 anos), a direita domina, com AD (20%), Chega (18%) e IL (13%). Já entre os mais velhos (65 anos ou mais), o PS assume a dianteira com 31%, seguido da AD com 27%. A AD lidera entre os eleitores com ensino superior (27%), enquanto o PS se destaca entre os que têm apenas o 3.º ciclo ou menos (30%).
A fidelização do eleitorado é outro dado relevante. Segundo o Cesop, 56% dos inquiridos afirmam que “não mudarão” o seu sentido de voto até ao dia das eleições, embora 44% admitam alguma possibilidade de alteração: 27% dizem que é pouco provável, 7% estão indecisos, 8% consideram provável e 2% admitem ser muito provável que mudem. Os eleitores da CDU são os mais firmes (76%), seguidos pelos do Chega (71%), PS (64%) e AD (61%). No extremo oposto, os votantes do Livre (15%), da IL (18%) e do BE (23%) revelam maior volatilidade. A CDU é também a força menos vulnerável a mudanças, com apenas 3% dos seus eleitores a admitirem que podem alterar o seu voto.
A expectativa de vitória reforça-se a favor da AD: 58% dos inquiridos acreditam que a coligação de centro-direita sairá vencedora das legislativas, contra apenas 21% que apontam o PS. Em fevereiro, a diferença era menos acentuada (41% contra 38%). Quanto à preferência para primeiro-ministro, Luís Montenegro recolhe 47% das opiniões favoráveis, enquanto Pedro Nuno Santos soma 29%. Entre os indecisos, Montenegro também lidera com 40% contra 21% para o líder socialista, revelando uma clara vantagem no campo da liderança.
Este estudo de opinião foi conduzido pelo Cesop – Universidade Católica entre 21 e 24 de abril de 2025 e incluiu entrevistas a 952 pessoas, representando a população residente em Portugal continental com 18 ou mais anos. A margem de erro máxima é de 3,2% para um intervalo de confiança de 95%. A recolha permite já aferir o impacto da maioria dos debates televisivos, mas não o do confronto direto entre Montenegro e Ventura, ocorrido na noite de 24 de abril.







