O falecimento do Papa Francisco está a provocar uma verdadeira corrida aos bilhetes de avião para Roma, levando a um aumento significativo nos preços. De acordo com dados revelados esta quinta-feira, pelo vice-presidente executivo da Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), José Manuel Lastra, o custo médio das passagens para a capital italiana já subiu cerca de 60% face a períodos normais, situando-se atualmente entre 200 e 300 euros. No entanto, o valor poderá ultrapassar os 400 euros nos próximos dias, à medida que se aproxima a data do funeral do sumo pontífice.
Em declarações ao canal público espanhol RTVE, Lastra confirmou que, apesar do aumento repentino na procura, ainda é possível encontrar bilhetes disponíveis. Algumas companhias aéreas, como a Iberia, reforçaram a sua oferta de voos para dar resposta ao afluxo de passageiros que pretendem deslocar-se ao Vaticano para as cerimónias fúnebres.
Alternativas ao avião são limitadas e com custos semelhantes
Questionado sobre meios alternativos de transporte para Roma, o responsável da CEAV admitiu que “não são muito viáveis”. Viagens por estrada, comboio ou barco continuam a ser opções limitadas para a maioria dos peregrinos, e, segundo Lastra, “os preços também não diferem muito” dos valores atuais praticados pelas companhias aéreas.
A cidade de Roma é tradicionalmente um destino turístico com procura elevada, mas a situação foi agravada por dois fatores: a morte do Papa e o facto de 2025 ser ano jubilar, um evento de especial significado no calendário católico, durante o qual milhões de fiéis costumam visitar a cidade eterna.
Hotéis mantêm disponibilidade, mas preços também sobem
No que toca ao alojamento, a pressão ainda não esgotou completamente a oferta disponível. José Manuel Lastra assegura que ainda há quartos livres nos hotéis de Roma, cidade que beneficia de uma oferta hoteleira “bastante ampla”. No entanto, tal como sucede com os voos, os preços também registaram uma subida. Apesar disso, o representante da CEAV considera que os valores se mantêm “razoavelmente acessíveis”, especialmente quando comparados com a forte procura registada.
Roma blindada para um funeral sem precedentes
O impacto da morte do Papa Francisco está a sentir-se também noutras frentes. As autoridades italianas preparam-se para implementar um dos maiores dispositivos de segurança da história recente da cidade, com o envolvimento de mais de 4.000 agentes de segurança, incluindo unidades especiais, francotiradores posicionados em pontos estratégicos, drones de vigilância aérea, controlo reforçado nas entradas da cidade e inspeções nos principais pontos turísticos e locais de culto.
Milhares de pessoas já formam filas junto à Basílica de São Pedro, onde decorre a vigília e as cerimónias fúnebres preparatórias. O funeral de Francisco promete ser um dos mais participados de sempre no Vaticano, reunindo chefes de Estado, líderes religiosos, delegações de todos os continentes e milhões de fiéis.
Contexto do Jubileu e impacto no turismo religioso
A coincidência da morte do Papa com o ano jubilar de 2025 está a amplificar a pressão turística sobre a cidade de Roma. O jubileu, proclamado pelo próprio Papa Francisco, é tradicionalmente marcado por peregrinações, indulgências e celebrações religiosas. Muitas agências de viagens já tinham programas específicos agendados para este período, o que, segundo Lastra, contribui para o atual cenário de procura excepcional.
A expectativa é que a cidade receba nos próximos dias centenas de milhares de visitantes, vindos de todas as partes do mundo, para prestar a última homenagem ao pontífice argentino, que morreu aos 88 anos na passada segunda-feira.
Um fenómeno com implicações económicas e logísticas
Para além da evidente carga emocional e espiritual que envolve o funeral do Papa, o evento terá também importantes repercussões económicas, tanto para o setor do turismo como para a logística e segurança pública. Com o aumento generalizado de preços nos transportes e alojamento, e uma procura que promete continuar a crescer até à realização do funeral, Roma enfrenta um dos momentos mais intensos da sua história recente, ao nível da mobilização e gestão de multidões.




