A nona sessão do julgamento da Operação Pretoriano, que decorre no Tribunal de São João Novo, no Porto, foi esta terça-feira adiada devido a uma falha no sistema informático do tribunal. Segundo avança o jornal Público, o problema técnico afetou também o Tribunal do Bolhão nas primeiras horas da manhã, provocando constrangimentos em diversos processos judiciais.
Após uma espera de cerca de uma hora e meia sem que a situação fosse resolvida, o coletivo de juízes decidiu cancelar a sessão matinal. A nova audiência foi agendada para as 13h30, ficando dependente da intervenção do técnico de informática responsável pelo sistema do tribunal, segundo adianta o Correio da Manhã.
Nesta fase do julgamento, estavam previstas as audições de testemunhas relacionadas com a Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto. Trata-se de um momento central no processo que investiga os acontecimentos ocorridos na reunião extraordinária do clube, em novembro de 2023, onde o Ministério Público alega ter existido uma tentativa organizada de intimidação e coação por parte de membros da claque Super Dragões.
Acusações ligadas à assembleia do FC Porto
De acordo com a acusação, os arguidos procuraram criar um ambiente de medo junto dos sócios presentes, com o objetivo de facilitar a aprovação de uma revisão estatutária “do interesse da direção” do clube, então liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa. As ações visaram condicionar a vontade dos associados e garantir um resultado favorável à direção.
Estão em causa 31 crimes, nomeadamente 19 de coação agravada, sete de ofensa à integridade física no contexto de espetáculo desportivo, três de atentado à liberdade de informação, um de instigação pública à prática de crime e outro de arremesso de objetos ou líquidos. As acusações recaem sobre um total de 12 arguidos, entre os quais se inclui Fernando Madureira, mais conhecido por “Macaco”, ex-líder da claque portista.
Madureira é o único dos arguidos que se encontra atualmente em prisão preventiva, devido à gravidade dos factos que lhe são imputados e ao risco de perturbação da investigação.
Fernando Madureira, de 49 anos, liderou os Super Dragões durante cerca de duas décadas e tornou-se uma figura incontornável no universo do FC Porto. Fora do campo, construiu uma imagem pública marcada por um estilo de vida ostentoso, com carros de alta cilindrada, viagens de luxo e propriedades de elevado valor, o que chamou a atenção das autoridades.
A Operação Pretoriano não é a única frente judicial que envolve o antigo líder da claque. Em paralelo, decorre a investigação da Operação Bilhete Dourado, que visa um alegado esquema de revenda de bilhetes fornecidos pelo clube ao abrigo de um protocolo com os Super Dragões. Os bilhetes seriam revendidos a preços superiores, gerando receitas que não eram devidamente declaradas.
Além disso, está em curso uma terceira investigação que incide sobre suspeitas de fraude fiscal, alegadamente utilizada para encobrir os lucros obtidos com estas práticas. O conjunto das investigações aponta para uma estrutura informal mas altamente organizada, com ramificações dentro e fora do universo desportivo.







