O fim da era das roupas baratas (e ao desbarato)? Shein e Temu avisam clientes que vão subir preços por causa das tarifas de Trump

«As plataformas de comércio eletrónico Temu e Shein, conhecidas por oferecerem produtos a preços muito reduzidos, anunciaram que irão aumentar os preços para os clientes norte-americanos a partir da próxima semana.

Pedro Zagacho Gonçalves

«As plataformas de comércio eletrónico Temu e Shein, conhecidas por oferecerem produtos a preços muito reduzidos, anunciaram que irão aumentar os preços para os clientes norte-americanos a partir da próxima semana. A decisão surge na sequência das novas tarifas aduaneiras impostas pelo presidente dos EUA Donald Trump sobre produtos oriundos da China, que podem atingir os 145%.

As duas marcas, populares entre os consumidores jovens por oferecerem vestuário, cosméticos e acessórios acessíveis, emitiram comunicados semelhantes onde indicam que as alterações se devem ao aumento das despesas operacionais “devido às recentes mudanças nas regras do comércio global e nas tarifas”. As alterações nos preços entram em vigor a partir de 25 de abril, mas nenhuma das empresas especificou a dimensão dos aumentos.

Shein, fundada na China e atualmente com sede em Singapura, tem-se distinguido pelo modelo de vendas diretas ao consumidor e pela colaboração com influenciadoras nas redes sociais. Temu, pertencente ao grupo chinês PDD Holdings, aposta numa oferta mais diversificada, que inclui desde utensílios domésticos e gadgets eletrónicos a presentes humorísticos, promovidos sobretudo através de publicidade digital.

Desde a sua entrada no mercado norte-americano, Shein e Temu têm conquistado quota de mercado com preços agressivamente baixos, o que pressionou fortemente retalhistas ocidentais. No entanto, o novo pacote de medidas protecionistas poderá colocar em causa o modelo de negócio destas plataformas.

A tarifa de 145% decretada por Trump sobre a maioria dos produtos fabricados na China, combinada com o fim da isenção aduaneira para encomendas de valor inferior a 800 dólares (cerca de 703 euros), ameaça as margens de lucro e a competitividade de empresas como Temu e Shein.

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Durante anos, os sites de comércio eletrónico beneficiaram da chamada “de minimis provision”, que permitia a entrada livre de taxas alfandegárias para pequenas encomendas. Só nos Estados Unidos, cerca de quatro milhões de pacotes de baixo valor — na sua maioria provenientes da China — chegam diariamente ao país ao abrigo dessa exceção, que será revogada a partir de 2 de maio.

Trump assinou, no início de abril, uma ordem executiva que elimina esta isenção para mercadorias oriundas da China e de Hong Kong, sujeitando-as à nova tarifa. A medida foi fortemente apoiada por políticos, autoridades policiais e associações empresariais norte-americanas, que acusavam a isenção de funcionar como uma brecha comercial favorável aos produtos chineses, além de facilitar a entrada de drogas ilícitas e falsificações no país.

Pressão sobre o setor tecnológico e concorrência da Amazon
A nova realidade económica para Shein e Temu tem reflexos também noutras indústrias. Segundo dados da empresa de análise Sensor Tower, ambas reduziram significativamente os seus investimentos em publicidade nas redes sociais nas últimas semanas. Esta quebra poderá afetar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X e TikTok, que dependem fortemente de receitas publicitárias.

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Entretanto, a Amazon procura capitalizar esta mudança. Em novembro passado, o gigante norte-americano do e-commerce lançou uma nova loja online de baixo custo com produtos até 20 dólares (17,60 euros), muitos dos quais semelhantes aos vendidos por Temu e Shein — uma jogada que poderá vir a beneficiar da nova conjuntura tarifária.

Apesar das dificuldades, as duas empresas garantem que farão todos os esforços para manter os preços acessíveis. “Reforçámos os nossos stocks e estamos prontos para garantir que as suas encomendas cheguem sem problemas durante este período”, assegurou a Temu num comunicado dirigido aos clientes. “Estamos a fazer tudo o que podemos para manter os preços baixos e minimizar o impacto sobre si.”

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