Falta um mês para as eleições legislativas, agendadas para 18 de maio. Os partidos políticos já estão a aplicar as respetivas estratégias para garantir o melhor resultado eleitoral possível. Para nos ajudar a descodificar o que tem sido até ao momento este percurso, o politólogo Adelino Maltez falou em exclusivo à ‘Executive Digest’ sobre o que mais o surpreendeu neste período eleitoral.
Segundo o especialista político, a campanha, até ao momento, tem sido “a rotina”. “Os partidos principais estão a mostrar força, pelo que não tenho sido surpreendido. Os partidos estão a mexer-se conforme é hábito. A única coisa que é novidade é que vê que os líderes dos partidos têm fortes equipas de comunicação, imagem e consultoria, e aparecem na campanha mostrar aquilo que os consultores determinaram como sendo fundamental”, referiu, lembrando o caso de Pedro Nuno Santos, “que deixou de ter o seu feitio mais espevitado para passar a vestir a farpela de candidato a primeiro-ministro. Vendeu esse produto: estabilidade, moderação”.
Diferente tem sido Luís Montenegro, líder da AD e do Governo. “Ainda não saiu do cargo de primeiro-ministro. O terreno dele é um palanque numa ação governamental e depois ir ao Mercado do Bolhão dar beijinhos às feirantes. Mas está atrasado na comunicação, ainda não se deu conta que deixou de ser primeiro-ministro. Como é que isto vai ser premiado ou punido em termos eleitorais, isso não sabemos. Mas ainda há muito tempo para afinar a campanha”, relatou Adelino Maltez.
PS e AD são os principais candidatos a assumir Governo, com ou sem coligações. Para o politólogo, “há uma aproximação de preferências entre os dois partidos, um empate técnico, que assim vai ser até ao fim da disputa. Mas não tem havido ‘duelos de vida ou de morte’, enfrentam-se com um guião, querem vender um produto ao respetivo eleitorado. E ganham os dois um procurando o outro, é o que tem acontecido”.
No entanto, esta campanha revelou uma nova faceta dos políticos candidatos ao Palácio de São Bento: a faceta de ‘entertainers’. “Outra novidade é a ida aos programas de canal aberto pela manhã, que se traduziu em muito mais novidades interessantes do que os debates. Há aqui uma zona nova na política, os candidatos a terem de passar o exame de entertainers, que falam para o público da manhã, muito mais democrático. Um canal de cabo é para os que gostam de política, um canal aberto é uma entrada no quotidiano. E a maior parte dos líderes atuais saíram-se bem nestes programas de entretenimento. E é uma aproximação da vida das pessoas”, apontou Adelino Maltez, que deixou críticas “ao exagero” de comentadores nas televisões portuguesas.
“Na comunicação televisiva, as coisas mudaram muito: temos um exagero de comunicadores, a dar notas. Não sabem dar notas. Porque em coisas que são claramente empate, dão 18 a um e 4 a outros. Não há isenção e há um exagero, são todas as televisões a fazer isso. É o que me parece de maior novidade nesta campanha, são bolhas que exageram no seu papel”, criticou Adelino Maltez, considerando que um “comentador está no seu cadeirão a mandar palpites, o político tem de ter legitimação popular. Mas não acho que seja extremamente negativo o que se passa, é previsível, e os mecanismos democráticos fluem em forma normal, sem exagero, e sem medo”.
As sondagens têm apontado uma grande fatia do eleitorado nacional indeciso na sua intenção de voto, algo que Adelino Maltez sublinhou ser normal. Isto porque “os indecisos estão dentro do mesmo ramo político: há muitos entre votar Chega ou AD, há muitos entre votar PS ou no Livre. Alguns indecisos entre BE e PC, são todos dentro da mesma ‘parentalidade’. Já escolheram mas querem ver se vale a pena o voto útil. O PS está em pânico com o número de votos no Rui Tavares, o Montenegro em pânico com os votos no Chega. São escolhas limitadas, mas acho que ninguém hoje confunde ser esquerda ou direita”, concluiu o politólogo.













